Por: Márcia Maria de Oliveira
Atualmente, segundo a OIT, mais da metade das vítimas do tráfico humano no mundo é constituída de mulheres vítimas da exploração sexual comercial. O Brasil é um dos países com maior número de vítimas deste crime de ordem transnacional e a Amazônia figura como a região com o maior número de rotas deste tráfico. Alguns estudos indicam que a maioria das mulheres traficadas nessa região é trasladada para a Espanha, especialmente para as cidades de Madrid e Barcelona. Na Amazônia a prática do tráfico de mulheres tem raízes históricas e encontra-se “naturalizada” nas relações sociais e culturais fazendo com que as vítimas, diretas e indiretas, não tomem consciência da gravidade do problema, o que facilita a ação dos aliciadores e traficantes. Em quase todas as etnias pré-coloniais, há resquícios da prática do tráfico de mulheres e meninas com o objetivo de “evitar as relações incestuosas”, como afirmam inúmeros estudos antropológicos da região. Na grande maioria dos escritos, o adjetivo usado pelos antropólogos é a “troca” ou a “dádiva”. Apenas em alguns raros estudos antropológicos mais críticos como o caso de Rubin (1986), o adjetivo “tráfico” aparece nos escritos para indicar que as mulheres eram as maiores vítimas das tais “práticas culturais”, criadas e mantidas pelos homens (RUBIN, 1986, pp.112-113). Esta representação cultural necessita ser “desconstruída” a partir de novas abordagens sociológicas e com o suporte dos Estudos de Gênero, a fim de fornecer elementos para um debate permanente sobre a temática subsidiando mecanismos sociais, culturais e institucionais de enfrentamento do problema na Amazônia. Também é preciso criar mecanismos de enfrentamento nas duas principais cidades de destino das vítimas do tráfico de mulheres para fins de exploração sexual comercial: Madri e Barcelona.
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