O EXEMPLO ITALIANO

Por: Deputado Francisco Praciano

Há cerca de 20 dias os italianos foram chamados a votar em, referendo nacional, sobre a continuidade ou não da forma privatizada de um serviço essencial à vida, que é o serviço de água. Apesar do governo Berlusconi ter feito de tudo para bloquear esta iniciativa popular, o referendo aconteceu e a grande maioria dos cidadãos italianos reconheceu que a água, justamente por ser um bem essencial á vida, não deve ser considerada uma mercadoria e obedecer às leis do mercado.

Em Manaus, o serviço de água ainda é privatizado. Orgulho-me de dizer que fui um dos que lutou contra essa privatização. Infelizmente, prevaleceu aqui a força dos Berlusconis amazonenses que acham que a água é uma mercadoria como outra qualquer, que pode ir para a bolsa de valores.

Venderam para o povo a ilusão de que com a privatização haveria mais eficiência econômica, que o serviço seria prestado com maior qualidade, com toda a população sendo atendida e pagando menos pelo serviço. O resultado da privatização, porém, mostra outra coisa: A empresa que ganhou o contrato de concessão nunca cumpriu, como deveria, o que foi contratado: não ampliou a cobertura e nem melhorou a qualidade dos serviços; aumenta sem qualquer transparência, o preço da tarifa e ainda degradou a gestão do serviço. Manaus é cercada pelos maiores rios do mundo mas na Zona Leste, por exemplo, a falta de água é uma constante.

Tanto pela nossa experiência negativa em Manaus quanto pelo conhecimento que temos de experiências similares em várias partes do mundo, parabenizo o povo italiano pela inteligente decisão de não mais permitir a privatização da água no seu país. Manifesto, também, meu apoio à consulta popular que está sendo proposta pelo vereador Waldemir José, para saber se o povo de Manaus quer continuar com os serviços de água privatizados. Repito: água não é uma mercadoria, é vida.

(Publicado na terça-feira, 05/06/11, no Jornal Dez Minutos).

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