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| Centro de Pelotas-RS (Foto de Cláudia Villar) |
Por: Júlio Lázaro Torma
No último dia 07 de julho, teve inicio na Praça Coronel Pedro Osório, a abertura dos festejos do bicentenário de fundação da cidade de Pelotas, com a inauguração do Relógio dos 200 anos. A cidade de Pelotas é um dos municípios mais ricos do estado do Rio Grande do Sul, perdendo no PIB ( Produto Interno Bruto), para Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul e agora para o vizinho município de Rio Grande.
A cidade de Pelotas foi num passado não muito distante a segunda cidade mais rica do estado,só perdendo para Porto Alegre,segundo alguns intelectuais o município de Pelotas,talvez foi mais importante economicamente do que a capital Porto Alegre, por estar próximo da Lagoa dos Patos, onde pode exportar a sua produção via o porto marítimo de Rio Grande.
Aqui com a vergonhosa escravidão africana nas estâncias e charqueadas, a cidade se desenvolveu economicamente, culturalmente, como apresenta o lindo casario do patrimônio histórico do município. Onde a riqueza de alguns, das sete familias mais ricas do município foi construída através da força, suor e sangue escravo, nas charqueadas e estâncias.
Após a abolição da escravatura, chega a estas bandas os imigrantes portugueses, espanhóis, italianos, pomeranos, alemães, franceses, do oriente médio, bem como o processo de industrialização que movimentou o cais do porto fluvial. Com a industrialização o negro deixou a senzala e foi morar nas vilas populares.
Pelotas com o seu vasto parque industrial,em busca de mão de obra barata nos anos de 1970-80, começa acolher de braços abertos uma vasta multidão de trabalhadores expulsos do campo, com a ilusão de encontrarem uma vida melhor nas grandes cidades,como anuncia as enganosas propagandas lançadas pela mídia sobre as populações rurais.
onde se chegou a ter em torno de 150 fábricas de doces e conservas, hoje restá um pequeno grupo de fábricas do setor da alimentação, além do fechamento de indústrias do ramo metalúrgico, fazendo com que a cidade viva basicamente do comércio.
Do lado da cidade maquiada dos opulentos e exuberantes casarios, mansões, edifícios, do marketting da festa nacional do doce (Fenadoce) e da doce folia do carnaval, dos eventos oficiais está a outra cidade informal, escondida.
A cidade real do autoritarismo dos governantes que não dialogam com a população, funcionários públicos municipais, das vilas e ruas abandonadas,do mau atendimento dos serviços públicos,dos corredores lotados do Pronto Socorro Municipal,precariedade dos postos de saúde. Do crescente desemprego que atinge a classe trabalhadora, que joga a juventude na deliqüência, nas garras do narcotráfico, da prostituição, sendo vitimas e agentes da violência, onde mãos inocentes acabam manchadas de sangue inocente, lotando casas prisionais e cemitérios, o trabalho infantil, onde crianças tem que ajudar os seus pais.
A classe trabalhadora, além de ser a principal vitima da pobreza e miséria, é a sua força, suor, sangue, que não é valorizado que constrói e ergue a riqueza desta amada cidade, onde os ricos ficam cada vez mais ricos, a custa da força dos pobres.
E fazem com que as massas populares, acreditem que são pobres, por alguma maldição dos deuses. Os políticos em seus discursos falam em cidade pobre, mas só lembram dos moradores da cidade informal em época eleitoral.
Nós que amamos está terra que aqui nascemos, que nos acolheu com amor materno, queríamos falar de coisas bonitas, mas infelizmente essa é a nossa realidade.
Onde queremos de fato viver e participar de uma cidade em que caiba muitas cidades, que haja de fato a distribuição de renda e não a concentração de renda, que exclui, uma grande parcela desta população.
Queremos sim celebrar o bicentenário, mas aquele onde os pobres e trabalhadores sejam de fato lembrados. Queremos um outro 200 Anos.

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