Patativa do Assaré foi um dos maiores poetas populares, cordelistas e compositores do Brasil. Nascido e criado na zona rural de Assaré, no interior do Ceará, ele usou sua poesia oral e escrita para dar voz aos sertanejos, denunciar a desigualdade social e defender a reforma agrária.
Patativa do Assaré, apesar de ter tido apenas cerca de quatro meses de educação formal, é um dos poetas mais estudados do Brasil. Sua genialidade e domínio da linguagem ultrapassaram fronteiras nacionais, tornando-se alvo de análises em grandes universidades. Órfão de pai aos oito anos, precisou trabalhar na roça para ajudar a família, o que limitou seu acesso à escola.
Patativa sabia ler, mas não sabia escrever. Como não escrevia os textos, ele compunha e lapidava seus versos inteiramente na memória. Ao criar seus cordéis e poemas matutos, ditava-os para outras pessoas ou simplesmente os memorizava para recitá-los em praças, teatros e rádios.
Seu talento com as palavras e a oralidade rendeu-lhe reconhecimento nacional, tendo recebido cinco títulos de Doctor Honoris Causa por universidades brasileiras.
Apesar das limitações da escrita, tinha grande intimidade com a literatura. Lia constantemente e era um profundo conhecedor de grandes clássicos da poesia brasileira.
Seu poema mais famoso, que narra o drama da seca e a dura realidade dos retirantes nordestinos. Foi musicado e imortalizado na voz de Luiz Gonzaga em 1964. Ficou nacionalmente conhecido por compor versos que aliavam uma profunda consciência social à simplicidade da vida no campo.
Seu trabalho inspirou gerações de artistas e, até hoje, sua obra continua sendo estudada como um marco da literatura de cordel e da cultura popular brasileira. Tornou-se um símbolo de resistência, defendendo os humildes e criticando os donos do poder, sem nunca abandonar sua terra natal ou suas origens sertanejas.
Patativa do Assaré partiu em 8 de julho de 2002, aos 93 anos, na cidade de Assaré, no Ceará.

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