Atividade econômica no País ganha mais estímulo com redução dos juros básicos para 8,5% ao ano

 
Novas regras para poupança passam a valer com taxa menor
A Selic foi reduzida de 9% para 8,5% ao ano (a.a.) sem viés na reunião dessa quarta-feira (30) do Comitê de Política Monetária (Copom). O menor nível registrado até então foi de 8,75% a.a., entre 23 julho de 2009 e 28 abril de 2010. A redução vem ao encontro das medidas de estímulo à atividade econômica para contrapor ao agravamento da crise financeira internacional, que incluem incentivos fiscais a setores como as indústrias de carros, móveis e da linha branca.

Em nota, o Copom considera limitados os riscos para a trajetória da inflação e que, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária.

Com a queda dos juros básicos à menor taxa da história, passam a valer as novas regras de remuneração da poupança. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a alteração foi necessária para que o governo pudesse dar continuidade na redução dos juros e no custo financeiro do País: “Se não tivéssemos feito isso, teríamos um problema, pois engessaríamos a taxa de juros e não conseguiríamos reduzi-la. Esse impedimento seria prejudicial para toda a economia brasileira”, disse durante audiência pública sobre alteração na remuneração da caderneta de poupança, no último dia 22, no Senado Federal.

Para Mantega, o desafio para o Brasil neste ano é acelerar o crescimento num cenário internacional adverso. Além de ampliar o crédito e reduzir juros, Mantega defende que é preciso continuar com as políticas de estímulo aos investimentos, que fazem parte do Plano Brasil Maior, fortalecer o mercado interno, e manter a solidez fiscal e o controle da inflação.

Crédito - Num movimento liderado pelos bancos públicos, o crédito ao consumidor e à produção tem sido oferecido a taxas mais baixas desde o início de abril.

No crédito às empresas há uma ênfase nas pequenas e médias. No Banco do Brasil, por exemplo, desde 12 de abril, foram realizadas cerca de um milhão de liberações de crédito nas linhas para pequenas e médias empresas, totalizando mais de R$ 9,9 bilhões. Esse resultado corresponde a crescimento de 18,4% de desembolso médio por dia no período, comparado com o mês anterior. Somente no BB Giro Empresa Flex, principal linha de capital de giro para as micro e pequenas empresas, o volume liberado é da ordem de R$ 2,1 bilhões desde 12 de abril - crescimento de 38% na média diária de desembolso, comparado a março de 2012.

Selic em queda baixa custo da dívida pública

A queda nos custos dos títulos públicos emitidos ao longo de abril foi resultado da tendência de queda da taxa básica de juros. “Os fundos DI com vencimento em 2016 iniciaram o mês com correção de 10,5% a.a. e fecharam em 9,85% a.a.”, exemplifica o coordenador-geral de Operações da Dívida, José Franco de Morais.

O custo médio acumulado em doze meses da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) caiu de 12,12% a.a. em março para 12,07% a.a. em abril. Além da redução da taxa Selic (0,71% em abril/12 ante 0,84% em abril/11), a queda se deve a menor variação do IPCA no período (0,64% em abril/12 ante 0,77% em abril/11).

Em abril, a emissão líquida da DPF totalizou R$ 6,97 bilhões, dos quais R$ 4,44 bilhões referentes à DPMFi e R$ 2,53 bilhões à externa (DPFe).

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