Olhe hoje! Procure as datas, as anotações das aulas, os vistos e carimbos dos professores. Esta observação vai te dizer o que o seu filho fez (ou não fez) na escola.
Faça uma conta: 200 dias letivos com 6 aulas diárias são 1.200 aulas no ano. Um caderno de 200 folhas tem 400 páginas. Se o teu filho tivesse anotado meia página por aula já exigiria 600 páginas. No mínimo (bem mínimo MESMO) seriam dois cadernos.
Você acredita mesmo que seu filho chegou até novembro “estudando” com um único caderno? Tantas aulas, tantos conteúdos e tão poucas páginas preenchidas. Isso não preocupa você?
Na sala de aula, vejo estudantes abandonando as atividades porque acreditam que passarão de qualquer jeito. E ainda ouvimos de muitos deles: “Professor, posso só fotografar o quadro?”
Ainda que eles estudassem pela foto (o que eu duvido muito) a imagem ficaria apenas no celular. Conhecimento mesmo se constrói por outros caminhos. A foto registra o que o professor escreveu. Não garante que seu filho entendeu uma palavra.
Escrever, selecionar ideias e elaborar respostas mobiliza atenção e memória. A escrita manual também exercita a coordenação motora fina. Quando seu filho deixa de escrever, não está apenas economizando papel. Está deixando de treinar a inteligência.
Uma das minhas maiores alegrias é ouvir um aluno “reclamar”: “Professor, para de passar atividades. Eu já estou no terceiro caderno!” Para mim, isso é uma medalha de honra ao mérito.
O professor não pode ser o único adulto preocupado com a aprendizagem do seu filho. Abra o caderno. Acompanhe. Cobre. Você investe dinheiro, tempo e esperança no futuro do seu filho. Não deixe para descobrir no fim do ano que ele passou de série, mas não aprendeu o que precisava. O boletim pode abrir a porta da próxima turma. Não vai responder por ele quando a vida cobrar o conhecimento que ficou para trás.
Fonte: Fábio Flores.

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