Recursos arrecadados no país serão enviados à ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) da Venezuela, por meio da rede internacional da organização, para fortalecer a entrega de itens essenciais às comunidades atingidas
Os tremores vieram em sequência, forte o suficiente para atravessar casas, ruas e rotinas. Em poucos segundos, parte da Venezuela passou a lidar com uma nova emergência humanitária: famílias fora de casa, serviços interrompidos, dificuldade de comunicação e comunidades inteiras tentando reorganizar a vida em meio aos escombros.
Diante dos terremotos que atingiram o norte do país em 24 de junho, a ADRA ativou uma resposta emergencial para apoiar as famílias mais afetadas. A atuação inicial está concentrada em necessidades básicas: acesso à água segura, distribuição de alimentos, itens de higiene e apoio a pessoas deslocadas.
Mobilização no Brasil
No Brasil, a ADRA Brasil também passou a integrar essa mobilização. A organização abriu uma campanha nacional de arrecadação para apoiar a resposta humanitária na Venezuela. Até esta quarta-feira, 1º de julho, a iniciativa já havia arrecadado R$ R$170.494,75 em doações.
Os recursos arrecadados no Brasil serão enviados à ADRA Venezuela, por meio da ADRA Internacional, e contribuirão para ampliar a entrega de kits e itens essenciais às famílias atingidas.
A campanha recebe doações via Pix pela chave: sos.venezuela@adra.org.br.
Para Hebert Boger, diretor da ADRA Brasil, a mobilização mostra como a solidariedade pode atravessar fronteiras em momentos de crise.
“Quando uma emergência dessa dimensão acontece, a resposta precisa ser rápida, organizada e coletiva. A ADRA Brasil se une a essa rede internacional para que a solidariedade dos brasileiros chegue às famílias venezuelanas em forma de cuidado, alimento, água segura e esperança”, afirma Boger.
Uma emergência em meio à vulnerabilidade
Segundo informações da ADRA Internacional, a agência humanitária da Igreja Adventista acionou seu Plano Nacional de Emergência na Venezuela após dois fortes abalos sísmicos, de magnitudes 7,2 e 7,5. A ocorrência foi considerada uma das mais severas já registradas no país desde 1900 e levou à decretação de estado de emergência.
A operação ocorre em um cenário de grandes desafios logísticos. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar teve as atividades afetadas por danos estruturais, o que dificulta a chegada direta de cargas e insumos. Além disso, equipes em campo enfrentam interrupções no fornecimento de energia, falhas nas telecomunicações e risco de novos tremores secundários.
“Estamos diante de uma emergência humanitária que se agrava pelas condições de vulnerabilidade que o país já enfrentava. Milhares de famílias precisam de ajuda imediata, especialmente água segura, artigos de higiene, alimentos e abrigo temporário”, afirmou Elián Giaccarini, coordenador de Emergências da ADRA na região Interamericana.

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