terça-feira, 7 de maio de 2013

Comissão da Verdade ouviu militares em audiência pública



Foi ótimo ter sido pública, aberta a todos, a audiência realizada no fim de semana, no Rio de Janeiro, na qual a Comissão Nacional da Verdade (CNV) ouviu a denúncia de militares perseguidos pela ditadura militar de que as Forças Armadas lhes concedem tratamento diferenciado, como se eles fossem militares de segunda classe.

É com a audiências dessa forma, sem medo e sem nada a esconder, que vão se registrar avanços nos trabalhos de investigação da CNV. É preciso destacar a pressão exercida pela sociedade, o papel das comissões estaduais e municipais da verdade, e de organizados como o Esculacho para que a comissão avançasse até esse ponto.

Agora é indiscutível que ela precisa de mais tempo, mais sessões abertas e públicas e uma maior divulgação de seu trabalho. Até porque precisa de mais tempo e suas investigações precisam prosseguir por no mínimo meio ano mais, bem como a entrega de seu relatório final - sem prejuízo de que ela divulgue parciais, como defendem alguns de seus membros.

Militares descontentes

No sábado pp., no Rio, seis militares perseguidos pela ditadura prestaram depoimento à CNV, quando deixaram evidente sua insatisfação com a anistia recíproca e com o fato dela se estender até os criminosos, assassinos, torturadores que prestaram serviços ao regime militar.

Nos depoimentos eles ressaltaram que militares punidos pela ditadura não tiveram a mesma anistia que aqueles que integraram o regime.

E que as dificuldades vão da garantia de pensão para mulheres e filhas até a possibilidade de promoção às patentes que companheiros de farda contemporâneos fiéis à ditadura conseguiram. "Continuamos discriminados e punidos. Não querem nos deixar voltar à condição de militar. Até hoje somos rotulados e mal recebidos nos quartéis. Você é olhado com desconfiança. Eles estão nos humilhando", disse o capitão-de-mar-e-guerra Luiz Carlos de Souza Moreira.

Esculacho escracha trturador que é delegado agora em Itatiba

Todo apoio e aplausos ao esculacho organizado no fim de semana (no sábado) pela Frente de Esculacho Popular (FEP) em Itatiba (SP), para denunciar que um notório acusado de tortura na ditadura, o delegado de polícia Carlos Alberto Augusto, o “Carlinhos Metralha”, que reside na cidade e é seu delegado de polícia desde que foi nomeado em fevereiro desde ano pelo governo tucano de Geraldo Alckmin.

Cerca de 70 integrantes da FEP, levados de São Paulo por um ônibus e alguns carros, distribuíram panfletos no centro de Itatiba com o histórico de Augusto e estenderam cartazes denunciando sua atuação durante a ditadura civil-militar. Além disso, o “esculacho” contou com apresentações artísticas de uma companhia de teatro e de uma fanfarra.

Entre 1970 e 1977, Augusto integrou a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury – torturador e comandante dos esquadrões da morte naquela época – no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), um dos principais órgãos de repressão da ditadura civil-militar. Ganhou o apelido de “Carlinhos Metralha” porque andava circulava com uma metralhadora pela sede do DOPS.

Ele era conhecido também como “Carteira Preta”. Augusto é acusado, ainda, de ter participado da organização do Massacre da Chácara São Bento, em Pernambuco, em 1973, quando seis militantes Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foram assassinados, entre eles Soledad Barret Viedma, grávida do agente infiltrado Cabo Anselmo, amigo até hoje de Augusto.

Em memória de Márcio Toledo

Para o próximo dia 08, estão todos convidados pelo Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo - Núcleo Memória e Verdade a participar de ato em memória do combatente Márcio Lei de Toledo, o Carlos ou Vicente da Ação Libertadora Nacional (ALN), que tombou morto no dia 23 de março de 1971. 

"Não cabe - dizem no convite os organizadores do ato - discutir as causas que determinaram sua morte naquele momento conturbado da história brasileira e sim, reverenciá-lo com a dignidade que sua memória merece, com a finalidade principal de recolocá-lo na galeria de heróis do povo brasileiro, local onde deve ter cadeira cativa pela sua coerência, ética e personalidade em defesa de nosso povo. Quando estaria completando 68 anos de idade, esperamos reunir amigos, companheiros de luta, familiares, colegas de escola, todos imbuídos da mesma intenção: a de resgatar sua honrada memória e principalmente, demonstrar que seus ideais não morreram."