sábado, 11 de maio de 2013

"Cadáveres de militantes eram expostos no DOI-Codi como troféu de vitória", diz ex-sargento

Corpos de militantes torturados eram expostos ao público interno do DOI-Codi, o maior órgão de repressão aos grupos de esquerda contrários à ditadura militar (1964-85), como "troféu de vitória", afirmou o ex-sargento Marival Chaves nesta sexta-feira (10) em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em Brasília.

"Vi em duas ocasiões. O casal Antonio Carlos Bicalho Lana e Sônia foi trazido ao DOI para visitação do órgão. Vi o casal morto, com perfurações a bala na cabeça, nos ouvidos", disse Chaves, acrescentando que supunha que isso ocorria por se tratarem de pessoas consideradas "importantes no contexto das organizações".

Ele também citou o caso de outro militante, chamado Yoshitane Fujimori, que chegou com ferimentos a bala e ainda estava vivo.

Chaves já falou duas vezes à comissão, que apura crimes cometidos no período da ditadura militar.

O depoimento foi colhido por Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República, e José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, que integram a comissão.

Também foi convocado para depor Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado e ex-comandante do DOI-Codi-SP no período entre 1970 e 1974.