O silêncio que me intriga - Por José Barroncas*


O que me deixa bobo, estupefato mesmo é saber que pela rede e mídia não está havendo nenhuma explosão de revolta na velha e na dita nova classe média, após ficar garantido o pagamento da mufunfa de R$4.300,00. Nenhuma manchete com letras garrafais. Nenhum vídeo de gente chorando que o seu imposto vai parar nas mãos de outros.

O Auxilio Moradia será concedido a todos os magistrados que não tenha uma residência oficial à disposição. Como se sabe cada juiz ganha em média R$21.000,00. Também recebem esse valor, em média, os membros do Ministério Público e brigam para ganhar esse valor os advogados da Defensoria Pública. O auxílio-moradia não era reconhecido como direito para todos os juízes, mas apenas para os membros dos Tribunais Superiores. Como todo magistrado é juiz, mesmo sendo desembargador ou Ministro, os demais acharam que isso era privilégio e ao invés de lutar para acabar com o privilégio, resolveram lutar para que o privilégio virasse direito e assim estendido a todos. Ingressaram no STF (Supremo Tribunal Federal) e o Ministro Luiz Fux, como é um homem muito sensível às causas dos mais necessitados, achou que essa era uma causa que se enquadraria no conceito de necessidade, afinal todo juiz é juiz e não deve haver distinção entre eles, pois isonomia é um princípio consagrado na Constituição da República, e nesse País em que se combate a discriminação não poderia ser mantida mais esta escandalosa discriminação. Assim, todos que não tenha à sua disposição uma casa oficial, passaram a receber a bolada (ou seria bolsa?) a mais no valor de R$4.300,00.

Assustaram-se com o valor? É tão grande que poderia ser o salário, mas não é. Salário mesmo, como eu disse, são os R$21.000,00. Vocês pensam que é muito? Ocorre que para quem vive desse salário, a pessoa acaba se acostumando e com o tempo passa a achar que é pouco. Para quem tem de pagar, nesse caso, até mesmo o salário mínimo de R$724,00 é um salário altíssimo, ao ponto do Armínio Fraga dizer que para combater a inflação seria preciso baixar o salário mínimo. Sempre tem a justificativa de que para se ganhar o salário mínimo não é necessário ter muito estudo (pode até ter gente com ensino superior ganhando isso, mas aí, dizem os meritocráticos, a culpa é da própria pessoa que não tem méritos para ganhar mais). Comparado ao trabalho que tem o Juiz, o salário da empregada doméstica, passa a ser considerado um salário absurdo, tudo porque até bem pouco tempo pagava-se R$50,00 por semana e dava-se mais umas peças de roupas usadas e não havia reclamação, por isso que um salário de R$ 21.000,00 passa a sensação, para quem ganha, de que é muito pouco. Eu disse sensação, que é uma coisa que acontece em Manaus. Você tem um calor de 40ºC, todavia tem a sensação de que é de 43ºC. É mais ou menos assim, a pessoa ganha R$21.000,00 e fica com a sensação de que perdeu a metade disso, só porque pagou os R$724,00 à empregada doméstica. Com raiva, essa classe média está jogando no lixo as roupas usadas, que antes eram dadas às empregadas.

De tudo isso, o que me deixa bobo, estupefato mesmo é saber que pela rede e mídia não está havendo nenhuma explosão de revolta na velha e na dita nova classe média, após ficar garantido o pagamento da mufunfa de R$4.300,00. Nenhuma manchete com letras garrafais. Nenhum vídeo de gente chorando que o seu imposto vai parar nas mãos de outros. Estou intrigado com essa recessão da raiva, do arrefecimento da campanha do ódio, das declarações de que vai sair do Pais por causa de tantas bolsas, me dando a impressão de que de uma hora para outra todos passaram a ser inteligentes e burro seria só aquele que votou na Dilma, pois qualquer outra coisa, por mais que isso signifique meter fundo a mão no bolso do contribuinte é ato inteligente, desde que quem esteja metendo a mão não seja a mão de alguém da base aliada da presidenta, esta zinha mesma, que os pobres, nordestinos e sulistas (cerca de 26 milhões) votaram e lhe deram mais 4 anos. Deve ser porque, não houve juiz algum devolvendo o auxílio puxadinho, digo moradia. Mesmo assim, me surpreendo com essa classe média, a antiga e a nova, que foi (e é) capaz de se indignar contra o Bolsa Família, que no entanto, em relação ao bolsa ajuda aos juízes está complacente. É espantosa essa conivência da classe média. Ela se esgoela contra dar-se R$100,00 reais ao Bolsa Família para que a família que tenha até quatro filhos possa colocar e manter os filhos na escola e não dá um pio contra os R$4.300,00 que cada juiz vai passar a receber e olha que já ganha cerca de R$21.000,00?

Essa bolsa que foi instituída não impõe nenhuma contrapartida ao Juiz. Ao contrário do Bolsa Família, a mãe para receber e continuar recebendo nos meses seguintes tem de provar que tem os filhos matriculados na escola e mostrar o cartão de vacina em dia. No bolsa família, faltar (ou gazetar) além de certa quantidade de aulas, o cartão do bolsa família fica zerado. Com o auxílio-moradia dos juízes não é exigido nenhuma contrapartida: morar no Município, por exemplo, ou comparecer uma certa quantidade de dias na semana, permanecer uma certa quantidade de horas no foro, proferir uma certa quantidade de decisões. Nada disso é exigido. Nenhuma contrapartida para o juiz receber os R$4.300,00 e nem assim um protestozinho, um Face, uma tuitada, etc? O Face ficou vazio. Nenhum vídeo de gente chorando contra essa nova bolsa criada? Que está acontecendo?

Digo logo, se houver esse protesto, vou ficar na minha porque eu defendo é o Bolsa Família, porque sei que distribui renda, mantém as crianças na escola, imunizadas contra doenças, tem o teste do pezinho, da mãozinha, do olinho e de outros zinhos tudo para que as crianças não morram, como acontecia há uns trezes anos atrás, e, que além do mais faz circular a riqueza, movimenta as indústrias de bens consumo, como caderno escolar, lápis, borracha, caneta, copinho para beber água, bolsa para levar os cadernos, lápis para colorir, merenda escolar comprada na agricultura familiar e outras coisas. Como a obrigação de estudar é fiscalizada, com essa presença na escola fez aparecer o ônibus e o barco escolar, assim novas frentes de trabalho foram criadas. Sei também que com o bolsa família, as mulheres ganharam mais protagonismo e passaram a ter o direito efetivo ao pátrio poder. Em muitos casos são as mulheres que ditam as regras e os homens tiveram que se adaptar aos novos tempos. Nasceu a Lei Maria da Penha e a Lei da Empregada Doméstica.

Termino aqui, mas sem entender do porque não estar havendo indignação por parte da tão aguerrida classe média (a antiga e a dita nova) que encontrou tempo antes para atacar os beneficiários do Bolsa Família e agora está sem força e voz contra essa outra bolsa que é infinitamente maior, maior mesmo até do que um aluguel num bairro de classe media alta como é o Vieiralves. Ali, o aluguel está em torno de R$3.000,00 a R$3.500,00. Com R$4.300,00 a disposição, mesmo alugando um casebre com piscina e edícula, no Vieiralves, por exemplo, fica a certeza de um troquinho para gastar ali mesmo: no Amazonas Shopping, no Manaus Plazza, no Millenium, o Manaura ou no Shopping Ponta Negra que é um pouquinho longe, mas que justifica a sua procura, pois afinal andar sempre no mesmo shopping enfastia. Movimentação demais, não é o bem o caso, pois rolezinho está proibido. Liminares providenciais foram proferidas. Com certeza, por prevenção, e agora dá a impressão que o foram em causa própria.

* José Barroncas é advogado

Sessão Especial em homenagem aos 10 anos da Pastoral da Pessoa Idosa no Amazonas


Acontece às 10h desta quarta-feira (5), no plenário da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), Sessão Especial em homenagem aos 10 anos da Pastoral da Pessoa Idosa no Amazonas. O deputado José Ricardo Wendling (PT) é o autor desta justa homenagem diante do belo trabalho realizado pela Pastoral no Estado, assegurando a dignidade e a valorização das pessoas da melhor idade.

A Pastoral da Pessoa Idosa é um Organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e foi criada oficialmente no dia 5 de novembro de 2004. Atua junto às famílias, por meio de líderes comunitários, que, voluntariamente, fazem visita domiciliar às pessoas idosas, preferencialmente, às mais vulneráveis, por sua fragilidade física ou situações de risco social, independentemente de seu credo religioso ou tendência política.

Em Manaus, a entidade tem sua missão estabelecida no artigo 2º do seu Estatuto, que determina “assegurar a dignidade e a valorização integral das pessoas idosas, por meio da promoção humana e espiritual, respeitando seus direitos, num processo educativo de formação continuada destas, de suas famílias e de suas comunidades, sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo, credo religioso ou político”.

Para José Ricardo, é de fundamental importância o trabalho desenvolvido pela Pastoral da Pessoa Idosa, contribuindo com o que prevê o artigo 3º do Estatuto da Pessoa Idosa, de 1/10/2003: é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

“Os idosos devem ser absoluta prioridade em todos esses direitos. E a Pastoral vem fazendo muito bem a sua parte. A expectativa é de que até 2030 chegaremos a 73 milhões de brasileiros idosos, diante da melhoria da qualidade de vida da população. De minha parte, continuarei cobrando do poder público melhorias nas políticas públicas para todos os idosos. Um dia, seremos todos da melhor idade”.

Foram convidados para participar da Sessão Especial, dentre outros órgãos e entidades: Arquidiocese de Manaus, Pastoral do Idoso, Conselho Municipal do Idoso, Fundação Doutor Thomas, Secretaria Estadual de Assistência Social e Cidadania (Seas), Secretaria de Estado da Juventude e Lazer (Sejel), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Secretaria Estadual de Saúde (Susam), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), Superintendência Municipal de Transporte Urbano (SMTU), Delegacia Especializada de Crime Contra Idoso (DECCI) e Ministério Público do Estado (MPE-AM).



E mais: Centro de Convivência Magdalena Daou, Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa, Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Idoso da Câmara Municipal de Manaus (COMDCAI), Comissão de Direito Humanos e Cidadania da Aleam, Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati), Fórum do Idoso – Seas, Casa do Idoso de São Vicente de Paulo, Grupo de Pessoas Idosas Navegando na Vida, Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Grupo Idoso do Lírio do Vale, Grupo da 3ª Idade da Polícia Militar Anos Dourado, Grupo Viver a Vida e Grupo Idoso Mais Jovem.

Sugestão de Pauta

O QUE: Sessão Especial em homenagem aos 10 anos da Pastoral da Pessoa Idosa no Amazonas
QUANDO: dia 5 de novembro de 2014 - Quarta-feira
HORA: 10h
ONDE: Plenário da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam)
ENDEREÇO: Av. Mário Ypiranga Monteiro, nº 3.950 (antiga Recife) - Parque Dez

Fonte: Assessoria de Comunicação

SANTO DIAS,MEMÓRIA QUE IMPULSIONA - por Júlio Lázaro Torma*


Há trinta e cinco anos era assassinado pela ditadura cívil militar o trabalhador metalúrgico e membro da Pastoral Operária Santo Dias da Silva em frente da fábrica Sylvania em Santo Amaro ( SP).

Santo foi assassinado enquanto numa greve de sua categoria reivindicava melhores salários. Greve está que se tornou estopim para as grandes greves de metalúrgicos no ABC paulista e de outras categorias que colocaram em cheque a ditadura militar.

Passados trinta e cinco anos do martírio de Santo Dias da Silva, a sua memória nos impulsiona a lutarmos por uma vida melhor e pela radicalização da democracia. Temos liberdade de manifestação, de votar e ser votados para o executivo e legislativo, direito de greve, garantido na Constituição Federal ( art 5), os diretos a sermos cidadãos.

Tais direitos são frutos da luta de milhares de trabalhadores, de gente que foi perseguida, presa, torturada, assassinada e exilada. Principalmente dos desaparecidos nos porões da ditadura ou assassinada como o operário, militante da pastoral operária e ministro da Eucaristia Santo Dias da Silva.

Lembrar a sua memória é como falava Jesus na última ceia;" fazei em minha memória" ( Lc 22,19). Fazer em memória é continuar a luta,comungar o ideal daqueles que tombaram e em defesa dos mais pobres e excluídos de nossa sociedade.

E não esquecer do que se temos diretos foi graças a luta destes mártires e lutarmos para que todos nós tenhamos o " direto absoluto a termos o direito de ter direitos"( Georg Wilhelm Hegel).

É denunciarmos a existência em nosso meio de mecanismos ditatoriais na sociedade brasileira e a responsabilidade daqueles que fizeram parte dos órgãos repressivos e que estão agindo impunemente e de ditadores.

É a luta das Pastorais da Juventude contra o extermínio da juventude pobre pela polícia, milicias e narcotráfico nas periferias. Da denúncia da CPT que apresenta o seu relatório anual de assassinatos no campo de lutadores e lutadoras sociais. Do CIMI que denúncia o extermínio dos povos indígenas.

Contra a criminalização dos movimentos sociais populares e da pobreza pela grande mídia.

A prisão preventiva e o uso da Lei de Segurança Nacional para reprimir e prender manifestantes, principalmente " lideranças" durante a Copa do Mundo.

O direto de greve e de participação popular que vem sendo atacado pelo legislativo a mando do capital nacional e internacional. Pela desmilitarização das policias militares criadas para reprimir de forma violenta a população.

Que possamos lutar para que todos tenham o direto a Terra, Trabalho, Teto e Pão para que possamos ter uma vida digna e trabalho digno que não haja mais acidentes, doenças e morte por causa do trabalho.

É a memória de Santo Dias e de tantos outros mártires que nos impulsiona a lutarmos e construirmos uma sociedade democrática, mais justa a onde " todos tenham vida em plenitude" ( Jo 10,10), que é causa da luta dos mártires, dos santos, o desejo de Jesus Mártir dos mártires e que deve ser o nosso desejo.

Nas lutas do povo, Santo Dias presente! Santo Dias, a luta vai continuar!!!

( Nota; o assassinato de Santo Dias da Silva, foi dia 30 de outubro de 1979).
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* Membro do Colegiado da Pastoral Operária Nacional

Discurso do Santo Padre Francisco aos participantes do Encontro Mundial de Movimentos Populares


Bom dia de novo. Eu estou contente por estar no meio de vocês. Aliás, vou lhes fazer uma confidência: é a primeira vez que eu desço aqui [na Aula Velha do Sínodo], nunca tinha vindo.

Como lhes dizia, tenho muita alegria e lhes dou calorosas boas-vindas. Obrigado por terem aceitado este convite para debater tantos graves problemas sociais que afligem o mundo hoje, vocês, que sofrem em carne própria a desigualdade e a exclusão. Obrigado ao cardeal Turkson pela sua acolhida. Obrigado, Eminência, pelo seu trabalho e pelas suas palavras.

Este encontro de Movimentos Populares é um sinal, é um grande sinal: vocês vieram colocar na presença de Deus, da Igreja, dos povos, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela!

Não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou pretextos. Também não estão esperando de braços cruzados a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que nunca chegam ou, se chegam, chegam de maneira que vão em uma direção ou de anestesiar ou de domesticar. Isso é meio perigoso. Vocês sentem que os pobres já não esperam e querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer.

Solidariedade é uma palavra que nem sempre cai bem. Eu diria que, algumas vezes, a transformamos em um palavrão, não se pode dizer; mas é uma palavra muito mais do que alguns atos de generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade de vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Também é lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de moradia, a negação dos direitos sociais e trabalhistas. É enfrentar os destrutivos efeitos do Império do dinheiro: os deslocamentos forçados, as migrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas essas realidades que muitos de vocês sofrem e que todos somos chamados a transformar. A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história, e é isso que os movimentos populares fazem.

Este encontro nosso não responde a uma ideologia. Vocês não trabalham com ideias, trabalham com realidades como as que eu mencionei e muitas outras que me contaram... têm os pés no barro, e as mãos, na carne. Têm cheiro de bairro, de povo, de luta! Queremos que se ouça a sua voz, que, em geral, se escuta pouco. Talvez porque incomoda, talvez porque o seu grito incomoda, talvez porque se tem medo da mudança que vocês reivindicam, mas, sem a sua presença, sem ir realmente às periferias, as boas propostas e projetos que frequentemente ouvimos nas conferências internacionais ficam no reino da ideia, é meu projeto.

Não é possível abordar o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que unicamente tranquilizem e convertam os pobres em seres domesticados e inofensivos. Como é triste ver quando, por trás de supostas obras altruístas, se reduz o outro à passividade, se nega ele ou, pior, se escondem negócios e ambições pessoais: Jesus lhes chamaria de hipócritas. Como é lindo, ao contrário, quando vemos em movimento os Povos, sobretudo os seus membros mais pobres e os jovens. Então, sim, se sente o vento da promessa que aviva a esperança de um mundo melhor. Que esse vento se transforme em vendaval de esperança. Esse é o meu desejo.

Este encontro nosso responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa é comunista.

Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja. Vou me deter um pouco sobre cada um deles, porque vocês os escolheram como tema para este encontro.

Terra. No início da criação, Deus criou o homem, guardião da sua obra, encarregando-o de cultivá-la e protegê-la. Vejo que aqui há dezenas de camponeses e camponesas, e quero felicitá-los por cuidar da terra, por cultivá-la e por fazer isso em comunidade. Preocupa-me a erradicação de tantos irmãos camponeses que sobrem o desenraizamento, e não por guerras ou desastres naturais. A apropriação de terras, o desmatamento, a apropriação da água, os agrotóxicos inadequados são alguns dos males que arrancam o homem da sua terra natal. Essa dolorosa separação, que não é só física, mas também existencial e espiritual, porque há uma relação com a terra que está pondo a comunidade rural e seu modo de vida peculiar em notória decadência e até em risco de extinção.

A outra dimensão do processo já global é a fome. Quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer mercadoria, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isso é um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável. Eu sei que alguns de vocês reivindicam uma reforma agrária para solucionar alguns desses problemas, e deixem-me dizer-lhes que, em certos países, e aqui cito o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, "a reforma agrária é, além de uma necessidade política, uma obrigação moral" (CDSI, 300).

Não sou só eu que digo isso. Está no Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Por favor, continuem com a luta pela dignidade da família rural, pela água, pela vida e para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra.

Em segundo lugar, teto. Eu disse e repito: uma casa para cada família. Nunca se deve esquecer de que Jesus nasceu em um estábulo porque na hospedagem não havia lugar, que a sua família teve que abandonar o seu lar e fugir para o Egito, perseguida por Herodes. Hoje há tantas famílias sem moradia, ou porque nunca a tiveram, ou porque a perderam por diferentes motivos. Família e moradia andam de mãos dadas. Mas, além disso, um teto, para que seja um lar, tem uma dimensão comunitária: e é o bairro... e é precisamente no bairro onde se começa a construir essa grande família da humanidade, a partir do mais imediato, a partir da convivência com os vizinhos.

Hoje, vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e até vaidosas. Cidades que oferecem inúmeros prazeres e bem-estar para uma minoria feliz... mas se nega o teto a milhares de vizinhos e irmãos nossos, inclusive crianças, e eles são chamados, elegantemente, de "pessoas em situação de rua". É curioso como no mundo das injustiças abundam os eufemismos. Não se dizem as palavras com a contundência, e busca-se a realidade no eufemismo. Uma pessoa, uma pessoa segregada, uma pessoa apartada, uma pessoa que está sofrendo a miséria, a fome, é uma pessoa em situação de rua: palavra elegante, não? Vocês, busquem sempre, talvez me equivoque em algum, mas, em geral, por trás de um eufemismo há um crime.

Vivemos em cidades que constroem torres, centros comerciais, fazem negócios imobiliários... mas abandonam uma parte de si nas margens, nas periferias. Como dói escutar que os assentamentos pobres são marginalizados ou, pior, quer-se erradicá-los! São cruéis as imagens dos despejos forçados, dos tratores derrubando casinhas, imagens tão parecidas às da guerra. E isso se vê hoje.

Vocês sabem que, nos bairros populares, onde muitos de vocês vivem, subsistem valores já esquecidos nos centros enriquecidos. Os assentamentos estão abençoados com uma rica cultura popular: ali, o espaço público não é um mero lugar de trânsito, mas uma extensão do próprio lar, um lugar para gerar vínculos com os vizinhos. Como são belas as cidades que superam a desconfiança doentia e integram os diferentes e que fazem dessa integração um novo fator de desenvolvimento. Como são lindas as cidades que, ainda no seu desenho arquitetônico, estão cheias de espaços que conectam, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro.

Por isso, nem erradicação, nem marginalização: é preciso seguir na linha da integração urbana. Essa palavra deve substituir completamente a palavra erradicação, desde já, mas também esses projetos que pretendem envernizar os bairros populares, ajeitar as periferias e maquiar as feridas sociais, em vez de curá-las, promovendo uma integração autêntica e respeitosa. É uma espécie de direito arquitetura de maquiagem, não? E vai por esse lado. Sigamos trabalhando para que todas as famílias tenham uma moradia e para que todos os bairros tenham uma infraestrutura adequada (esgoto, luz, gás, asfalto e continuo: escolas, hospitais ou salas de primeiros socorros, clube de esportes e todas as coisas que criam vínculos e que unem, acesso à saúde – já disse – e à educação e à segurança.

Terceiro, trabalho. Não existe pior pobreza material – urge-me enfatizar isto –, não existe pior pobreza material do que a que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos trabalhistas não são inevitáveis, são o resultado de uma prévia opção social, de um sistema econômico que coloca os lucros acima do homem, se o lucro é econômico, sobre a humanidade ou sobre o homem, são efeitos de uma cultura do descarte que considera o ser humano em si mesmo como um bem de consumo, que pode ser usado e depois jogado fora.

Hoje, ao fenômeno da exploração e da opressão, soma-se uma nova dimensão, um matiz gráfico e duro da injustiça social; os que não podem ser integrados, os excluídos são resíduos, "sobrantes". Essa é a cultura do descarte, e sobre isso gostaria de ampliar algo que não tenho por escrito, mas que lembrei agora. Isso acontece quando, no centro de um sistema econômico, está o deus dinheiro e não o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de todo sistema social ou econômico, tem que estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o denominador do universo. Quando a pessoa é deslocada e vem o deus dinheiro, acontecesse essa inversão de valores.

E, para explicitar, lembro um ensinamento de cerca do ano 1200. Um rabino judeu explicava aos seus fiéis a história da torre de Babel e, então, contava como, para construir essa torre de Babel, era preciso fazer muito esforço, era preciso fazer os tijolos; para fazer os tijolos, era preciso fazer o barro e trazer a palha, e amassar o barro com a palha; depois, cortá-lo em quadrados; depois, secá-lo; depois, cozinhá-lo; e, quando já estavam cozidos e frios, subi-los, para ir construindo a torre.

Se um tijolo caía – o tijolo era muito caro –, com todo esse trabalho, se um tijolo caía, era quase uma tragédia nacional. Aquele que o deixara cair era castigado ou suspenso, ou não sei o que lhe faziam. E se um operário caía não acontecia nada. Isso é quando a pessoa está a serviço do deus dinheiro, e isso era contado por um rabino judeu no ano 1200, explicando essas coisas horríveis.

E, a respeito do descarte, também temos que estar um pouco atentos ao que acontece na nossa sociedade. Estou repetindo coisas que disse e que estão na Evangelii gaudium. Hoje em dia, descartam-se as crianças porque a taxa de natalidade em muitos países da terra diminuiu, ou se descartam as crianças porque não se ter alimentação, ou porque são mortas antes de nascerem, descarte de crianças.

Descartam-se os idosos, porque, bom, não servem, não produzem. Nem crianças nem idosos produzem. Então, sistemas mais ou menos sofisticados vão os abandonando lentamente. E agora como é necessário, nesta crise, recuperar um certo equilíbrio. Estamos assistindo a um terceiro descarte muito doloroso, o descarte dos jovens. Milhões de jovens. Eu não quero dizer o dado, porque não o sei exatamente, e a que eu li parece um pouco exagerado, mas milhões de jovens descartados do trabalho, desempregados.

Nos países da Europa – e estas são estatísticas muito claras –, aqui na Itália, passou um pouquinho dos 40% de jovens desempregados. Sabem o que significa 40% de jovens? Toda uma geração, anular toda uma geração para manter o equilíbrio. Em outro país da Europa, está passando os 50% e, nesse mesmo país dos 50%, no sul são 60%. São dados claros, ou seja, do descarte. Descarte de crianças, descarte de idosos, que não produzem, e temos que sacrificar uma geração de jovens, descarte de jovens, para poder manter e reequilibrar um sistema em cujo centro está o deus dinheiro, e não a pessoa humana.

Apesar disso, a essa cultura de descarte, a essa cultura dos sobrantes, muitos de vocês, trabalhadores excluídos, sobrantes para esse sistema, foram inventando o seu próprio trabalho com tudo aquilo que parecia não poder dar mais de si mesmo... mas vocês, com a sua artesanalidade que Deus lhes deu, com a sua busca, com a sua solidariedade, com o seu trabalho comunitário, com a sua economia popular, conseguiram e estão conseguindo... E, deixem-me dizer isto, isso, além de trabalho, é poesia. Obrigado.

Desde já, todo trabalhador, esteja ou não no sistema formal do trabalho assalariado, tem direito a uma remuneração digna, à segurança social e a uma cobertura de aposentadoria. Aqui há papeleiros, recicladores, vendedores ambulantes, costureiros, artesãos, pescadores, camponeses, construtores, mineiros, operários de empresas recuperadas, todos os tipos de cooperativados e trabalhadores de ofícios populares que estão excluídos dos direitos trabalhistas, aos quais é negada a possibilidade de se sindicalizar, que não têm uma renda adequada e estável. Hoje, quero unir a minha voz à sua e acompanhá-los na sua luta.

Neste encontro, também falaram da Paz e da Ecologia. É lógico: não pode haver terra, não pode haver teto, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruímos o planeta. São temas tão importantes que os Povos e suas organizações de base não podem deixar de debater. Não podem deixar só nas mãos dos dirigentes políticos. Todos os povos da terra, todos os homens e mulheres de boa vontade têm que levantar a voz em defesa desses dois dons preciosos: a paz e a natureza. A irmã mãe Terra, como chamava São Francisco de Assis.

Há pouco tempo, eu disse, e repito, que estamos vivendo a terceira guerra mundial, mas em cotas. Há sistemas econômicos que, para sobreviver, devem fazer a guerra. Então, fabricam e vendem armas e, com isso, os balanços das economia que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente, ficam saneados. E não se pensa nas crianças famintas nos campos de refugiados, não se pensa nos deslocamentos forçados, não se pensa nas moradias destruídas, não se pensa, desde já, em tantas vidas ceifadas. Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor. Hoje, queridos irmãos e irmãs, se levanta em todas as partes da terra, em todos os povos, em cada coração e nos movimentos populares, o grito da paz: nunca mais a guerra!

Um sistema econômico centrado no deus dinheiro também precisa saquear a natureza, saquear a natureza, para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente. As mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que vemos, e os que mais sofrem são vocês, os humildes, os que vivem perto das costas em moradias precárias, ou que são tão vulneráveis economicamente que, diante de um desastre natural, perdem tudo.

Irmãos e irmãs, a criação não é uma propriedade da qual podemos dispor ao nosso gosto; muito menos é uma propriedade só de alguns, de poucos: a criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão. Talvez vocês saibam que eu estou preparando uma encíclica sobre Ecologia: tenham a certeza de que as suas preocupações estarão presentes nela. Agradeço-lhes, aproveito para lhes agradecer, pela carta que os integrantes da Via Campesina, da Federação dos Papeleiros e tantos outros irmãos me fizeram chegar sobre o assunto.

Falamos da terra, de trabalho, de teto... falamos de trabalhar pela paz e cuidar da natureza... Mas por que, em vez disso, nos acostumamos a ver como se destrói o trabalho digno, se despejam tantas famílias, se expulsam os camponeses, se faz a guerra e se abusa da natureza? Porque, nesse sistema, tirou-se o homem, a pessoa humana, do centro, e substituiu-se por outra coisa. Porque se presta um culto idólatra ao dinheiro. Porque se globalizou a indiferença! Se globalizou a indiferença. O que me importa o que acontece com os outros, desde que eu defenda o que é meu? Porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai; tornou-se um órfão, porque deixou Deus de lado.

Alguns de vocês expressaram: esse sistema não se aguenta mais. Temos que mudá-lo, temos que voltar a levar a dignidade humana para o centro, e que, sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos. É preciso fazer isso com coragem, mas também com inteligência. Com tenacidade, mas sem fanatismo. Com paixão, mas sem violência. E entre todos, enfrentando os conflitos sem ficar presos neles, buscando sempre resolver as tensões para alcançar um plano superior de unidade, de paz e de justiça.

Os cristãos têm algo muito lindo, um guia de ação, um programa, poderíamos dizer, revolucionário. Recomendo-lhes vivamente que o leiam, que leiam as Bem-aventuranças que estão no capítulo 5 de São Mateus e 6 de São Lucas (cfr. Mt 5, 3; e Lc 6, 20) e que leiam a passagem de Mateus 25. Eu disse isso aos jovens no Rio de Janeiro. Com essas duas coisas, vocês têm o programa de ação.

Sei que entre vocês há pessoas de distintas religiões, ofícios, ideias, culturas, países, continentes. Hoje, estão praticando aqui a cultura do encontro, tão diferente da xenofobia, da discriminação e da intolerância que vemos tantas vezes. Entre os excluídos, dá-se esse encontro de culturas em que o conjunto não anula a particularidade, o conjunto não anula a particularidade. Por isso eu gosto da imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitas caras distintas. O poliedro reflete a confluência de todas as particularidades que, nele, conservam a originalidade. Nada se dissolve, nada se destrói, nada se domina, tudo se integra, tudo se integra. Hoje, vocês também estão buscando essa síntese entre o local e o global. Sei que trabalham dia após dia no próximo, no concreto, no seu território, seu bairro, seu lugar de trabalho: convido-os também a continuarem buscando essa perspectiva mais ampla, que nossos sonhos voem alto e abranjam tudo.

Assim, parece-me importante essa proposta que alguns me compartilharam de que esses movimentos, essas experiências de solidariedade que crescem a partir de baixo, a partir do subsolo do planeta, confluam, estejam mais coordenadas, vão se encontrando, como vocês fizeram nestes dias. Atenção, nunca é bom espartilhar o movimento em estruturas rígidas. Por isso, eu disse encontra-se. Também não é bom tentar absorvê-lo, dirigi-lo ou dominá-lo; movimentos livres têm a sua dinâmica própria, mas, sim, devemos tentar caminhar juntos. Estamos neste salão, que é o salão do Sínodo velho. Agora há um novo. E sínodo significa precisamente "caminhar juntos": que esse seja um símbolo do processo que vocês começaram e estão levando adiante.

Os movimentos populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por inúmeros fatores. É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação protagônica das grandes maiorias, e esse protagonismo excede os procedimentos lógicos da democracia formal. A perspectiva de um mundo da paz e da justiça duradouras nos exige superar o assistencialismo paternalista, nos exige criar novas formas de participação que inclua os movimentos populares e anime as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com essa torrente de energia moral que surge da incorporação dos excluídos na construção do destino comum. E isso com ânimo construtivo, sem ressentimento, com amor.

Eu os acompanho de coração nesse caminho. Digamos juntos com o coração: nenhuma família sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá.

Queridos irmãos e irmãs: sigam com a sua luta, fazem bem a todos nós. É como uma bênção de humanidade. Deixo-lhes de recordação, de presente e com a minha bênção, alguns rosários que foram fabricados por artesãos, papeleiros e trabalhadores da economia popular da América Latina.

E nesse acompanhamento eu rezo por vocês, rezo com vocês e quero pedir ao nosso Pai Deus que os acompanhe e os abençoe, que os encha com o seu amor e os acompanhe no caminho, dando-lhes abundantemente essa força que nos mantém de pé: essa força é a esperança, a esperança que não desilude. Obrigado.

José Ricardo discute Orçamento 2015 em Audiência Pública.


O deputado José Ricardo Wendling (PT) irá realizar Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), por meio da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação, Informática e Inovação, para debater o Orçamento Público Estadual para 2015, em torno de R$ 16 bilhões. “É necessária essa discussão para ouvirmos os diversos segmentos da sociedade sobre as suas prioridades antes do Estado fechar o seu orçamento. São desses debates com a população que sairão as emendas parlamentares”, declarou ele, ressaltando que também irá apresentar emendas com as propostas de campanha do governador reeleito. “Porque é fácil falar e prometer. Resta saber se há proposta orçamentária para isso”.

José Ricardo também solicitou da presidência da Aleam a apreciação pelo plenário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 09/2011), de sua autoria, que tramita na Casa desde 30 de novembro de 2011, e que prevê que o Governo do Estado realize, Audiência Pública nos município para discutir o orçamento. “Essa PEC está pronta para ser apreciada, mas ainda não a colocaram em pauta de votação. Porque é a sociedade quem sente os problemas e quem deve dizer para onde o governante deve gastar o dinheiro público, fruto dos impostos pagos por cada cidadão. Espero somente que esta Casa apoio essa minha proposta votando a favor dos interesses populares e que o Governo a coloque em prática”, completou.

Na ocasião, o deputado também enalteceu a iniciativa do vereador Bibiano, que está promovendo reuniões em diversos bairros para discutir o orçamento do Município de Manaus, de cerca de R$ 4,3 bilhões previstos para 2015. “Esta é uma conduta adequada e deveria ser a postura de todos os parlamentares. Sempre faço esses debates com a população porque é uma forma democrática do povo participar das decisões orçamentárias”, disse ele, também cobrando que a Comissão de Finanças da Aleam também promova debates para aperfeiçoar o orçamento.

Dentre as emendas que o parlamentar apresentará este ano, estão algumas na área da educação: inclusão de auxílio-alimentação e vale-transporte para todos os professores, além de plano de saúde e garantia de pagamento da segunda parte do reajuste dos educadores, que é de 4,3%, para janeiro de 2015. E mais: ampliação dos investimentos na educação de 25% para 30%. Já na segurança, ele adiantou apresentar emenda para aumentar o auxílio-moradia para os policiais militares, que está congelado há onze anos.

Vetar plebiscito e conselhos é ser contra mudanças reinvindicadas pelos brasileiros.


A convocação do plebiscito para o povo decidir a reforma política e a rejeição pela Câmara dos Deputados, na noite de ontem, do decreto presidencial que trata dos conselhos de participação popular continuam na ordem do dia do debate nacional hoje. Cumpre ressaltar que na rejeição dos dois a posição dos que a eles se opõem é contraditória com o desejo manifesto nas manifestações de junho.

Mais que isso é contraditória com o voto pela mudança dado na eleição presidencial que reelegeu a presidenta Dilma Rousseff. Não há nada em contrário na Constituição em relação aos dois. Nem o decreto e o funcionamento dos conselhos mutilam ou retiram prerrogativas do legislativo, nem o plebiscito, se convocado, fere a Carta vigente de 1988 – pelo contrário, a possibilidade de convocá-lo está na Constituição.

Não há nada em contrario na Constituição. Ela prevê a realização de plebiscito e referendo e a participação popular. Está escrito com todas as letras na Carta Magna vigente há 26 anos, que a democracia no Brasil é exercida de forma direta e indireta. Portanto, não ha como afirmar que o plebiscito diminua ou retire poderes do Congresso Nacional. Muito menos a forma consultiva de consultas populares, já praticadas com as conferências nacionais, como aquela de mídia realizada no final de 2009 em Brasília.

Rejeitam proposta de plebiscito, mas não votam reforma política para ir a referendo


Menos de 24h após a presidenta Dilma Rousseff, reeleita, reafirmar no discurso da vitória, domingo á noite, sua determinação de fazer a reforma política e convocar um plebiscito popular para o povo decidir a respeito, a resistência às mudanças aflora publicamente. Parte do PMDB e alguns partidos da base aliada avisam que não aceitam plebiscito e querem fazer as alterações via referendo.

A diferença é substancial, vocês sabem: pelo plebiscito, os eleitores opinam e decidem se a lei deve ou não ser aprovada, antes de ela ser levada ao Parlamento; pelo referendo, a população só ratifica ou rejeita uma proposta já aprovada pelo Congresso Nacional ou pelo Executivo. Já vimos esse filme antes. Mais de uma vez. A reação contrária ao plebiscito é a história mais uma vez se repetindo.

O presidente Lula chegou a enviar ao Congresso Nacional uma proposta de reforma política elaborada após consultas à sociedade. Não tramitou, engavetaram. De 2011 a 2013 o PT fez campanha pública pela reforma política. Com apoio do partido constituíram-se comissões especiais para a reforma no Senado e na Câmara.

O Brasil sempre foi um país dividido entre patrões e trabalhadores.


A mídia continua a gastar muito papel e tinta, e a dar ainda grande ênfase à teoria de que o país saiu dividido ao meio da eleição nacional deste ano, particularmente do 2º turno e a pregar uma teoria que interessa muito a todos, mas particularmente ao lado dela – é, a mídia no Brasil tem lado, e como tem! – que é a questão da unidade, da necessidade de unir o Brasil. De preferência, cobra, que todas as iniciativas nesse sentido partam da presidenta reeleita, Dilma Rousseff.

Para sustentar suas teorias e a divisão que vê no país, meio a meio, metade conosco, metade com o outro lado, a imprensa repica a história de que esta foi a eleição mais polarizada pós-redemocratização e volta das diretas de presidente pós-ditadura, e que reafirmou a continuidade da polarização PT x PMDB.

Há 20 anos a polarização existe. É assim. Não tinha nem tem razões para ser diferente. E é normal, como dissemos no dia seguinte ao 2º turno, é natural nas grandes democracias. É a situação que existe à cada eleição nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Espanha, sempre polarizadas entre dois grandes partidos – ainda que em todos eles vigore, como aqui, o pluripartidarismo.

Em todas as grandes democracias há prevalência de dois grandes partidos

E a exceção dos Estados Unidos, de sistema presidencialista, os demais tem tendência a ter até mais eleições do que nos, porque vivem sob sistema parlamentarista, onde diante de uma crise maior, da perda de uma maioria, o Parlamento pode ser dissolvido e convocadas novas eleições.

E sempre que elas ocorrem, a exemplo do que se viu agora no Brasil, há a polarização entre os dois maiores partidos. É uma situação que enseja sempre disputas muito apertadas. Há alguns anos, por exemplo, uma eleição do presidente George W.Bush foi decidida pela justiça, em cima de algumas urnas do Estado da Flórida, tamanha a situação de empate em que ficara o resultado do pleito.

No Brasil, agora, culpam muito o PT por ter polarizado e dividido o país, rachado meio a meio, como eles dizem e veem o Brasil. Pena que alguns poucos analistas tenham chamado atenção para um fato, real, e que isso tenha saído com menos destaque ainda. Mas o fato é que o Brasil sempre esteve e sempre foi um país dividido, polarizado.

“A Dilma Rousseff que eu conheci pessoalmente”: o relato de uma repórter do El País


A primeira coisa que fiz ao ser apresentada a Dilma Rousseff, em junho deste ano, foi reparar nos seus sapatos. Baixinhos, um tipo de sapatilha de couro, arredondada na ponta, me deixaram claro que ela precisa de calçados muito confortáveis para lidar com a rotina maçante de uma presidência da República. O encontro com ela aconteceu de forma inesperada. A presidenta queria reunir os correspondentes internacionais para falar sobre os preparativos para a Copa do Mundo. Ao confirmar a participação no jantar no Palácio da Alvorada, tremi. Por mais anos de estrada que se tenha na profissão, ver um chefe de Estado ao vivo sempre dá um certo nervosismo. Pois assim cheguei no dia 03 de junho a Brasília, para seguir ao Palácio da Esplanada, véspera da Copa do Mundo.

O time de jornalistas estrangeiros esperava do lado de fora da casa, observando o belo jardim do Palácio, enquanto conversávamos com alguns ministros, até que ela chegou cumprimentando com beijinhos quem não se intimidou. Ela então puxou o assunto: “E a Copa?”, e logo em seguida pipocaram as perguntas sobre os fantasmas que cercavam o evento – atraso de obras, surto de dengue, entre outras.

Enquanto anotava discretamente o que ela dizia – a regra estabelecida pela presidência era não gravar o encontro – passei a reparar em alguns detalhes. Ficava olhando de perto o rosto da presidenta que tem fama de brava, séria, grossa, trator, e toda sorte de apelidos que a tiram do campo da feminilidade. Queria reparar nas rugas – muito menos do que eu imaginava – enquanto ela sorria. E sim, a presidenta sorri. E muito. Deu muitas risadas, e estava entusiasmada, pois tudo estava pronto para o início da Copa do Mundo, a contento.

Chamei a sua atenção quando fiz perguntas de infraestrutura, e as estradas que estavam sendo construídas no Centro-Oeste do país. Sabia que era um assunto que a presidenta gosta de falar, por ter criado um programa de concessões bilionário para melhorar a logística do país. E, efetivamente, ela disparou a falar com uma naturalidade que me deixou até assustada. Em nada lembrava o dilmês, como foi apelidado seu modo de falar que por vezes repete palavras e dificulta o entendimento imediato. Ela tem um pouco de cabeça de engenheira, que absorve números, e desenhava no ar o que algumas estradas iriam fazer pelo país.

Mas o momento de ver a Dilma humana foi quando o assunto enveredou para as obras de infraestrutura no Nordeste. Nesse momento, os olhos da presidenta brilharam, e eu pude ver bem de perto que não era mais o cérebro da economista-engenheira, mas o coração da mãe de Paula, e avó de Gabriel, que se manifestava. Ela falou sobre o programa de cisternas, que levou perto de um milhão de reservatórios de água para as casas de pessoas carentes, que antes sofriam com a carestia. “Antes se trocava água pelo voto”, disse Dilma, que tomou o meu caderno para desenhar como eram as cisternas. Ela lembrou dos caminhões pipas que chegavam nessas regiões em véspera de eleições, para fazer ‘escambo’ de voto. O reservatório, porém, ficará para sempre, independentemente do governante que assumir a cidade ou Estado em questão.

Depois de algum tempo, a figura formal da presidenta havia desaparecido. Já era uma pessoa normal, uma profissional em seu ofício como os jornalistas que a rodeavam. Seguimos então para a bela mesa de jantar, e estava curiosa para saber quem se sentaria ao lado da presidenta. Ficou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, do seu lado esquerdo, e um jornalista boa pinta do seu lado direito. Pensei com meus botões: “Ah, mas essa Dilma não tem nada de boba… ministro e jornalista bonitão, um de cada lado!”.

Lembrei desse detalhe quando, um mês depois, ela recebeu o ator Cauã Reymond no Palácio do Planalto, e ela o saudou antes que ao vice-presidente, Michel Temer, como manda o protocolo. “Desculpe Temer, mas não é todo dia que a gente tem um Cauã no Planalto”, disse ela, para deleite da plateia que caiu na gargalhada.

Dilma mora com a sua mãe na residência oficial, e não se tem notícias de amores ou namorados. “Não dá tempo”, respondeu ela certa vez numa entrevista. Por isso, nesse pequeno detalhe de quem estaria ao seu lado no jantar, que possivelmente era apenas uma coincidência, me despertou a curiosidade sobre como deve ser abrir mão de um relacionamento, e ser cercada por homens poderosos o tempo todo. A presidenta tem um quê de sedutora que o dia a dia não capta.

Em alguns momentos, passava pela minha cabeça que Dilma foi torturada brutalmente com choques elétricos durante a ditadura, chegando a ter a arcada dentária descolada de tantos socos. Quem consegue sobreviver sem amargura a isso? Tive vontade de enchê-la de perguntas a respeito, mas não vi brecha. Continuava reparando na Dilma humana, que evitou a sobremesa para não engordar, embora não tenha resistido a um bocadinho de sorvete, se a memória não me falha.

Depois de tanta informalidade, as perguntas duras já haviam sido feitas e houve espaço para matar as pequenas curiosidades. Quantas horas dorme? – Seis horas por noite. – Gosta de seriados? – Adoro as séries da BBC de época, e Downton Abbey. Quais livros está lendo? – O livro de Thomas Pikkety, “Capital do Século XXI”. E gostei de O homem que amava os cachorros (de Leonardo Padura).

Em seguida, ela mostrou o resto da casa, as pinturas, e os detalhes de obras do arquiteto Oscar Niemeyer na residência oficial. Ao final, antes de se despedir, reuniu os jornalistas para uma foto oficial. Sem me dar conta estava ao lado dela, e ela colocou as duas mãos nos meus ombros, numa proximidade inesperada. Cheguei do jantar pensando: “Por que ela tirou foto ao meu lado? Agradei nas perguntas?”. Ao trocar de roupa, me dei conta de um detalhe. Eu vestia um casaquinho vermelho, da cor do PT, o que deve explicar por que ela me escolheu para sair ao lado. Essa presidenta não tem nada de boba…

Fonte: El País

Waldemir destaca rumos da política brasileira após reeleição de Dilma Rousseff


Com a reeleição confirmada de Dilma Rousseff (PT) para presidência do Brasil, o vereador Waldemir José usou a tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMM) para destacar o norte político que a presidenta reeleita tomará neste segundo mandato. Dentre eles, o parlamentar destacou a reforma politica, o dialogo com os movimentos sociais, o combate rigoroso à corrupção e o controle sem trégua da inflação como medidas importantes para que o país continue avançando social politica e economicamente.

Waldemir destacou que a reeleição de Dilma representa a continuação das politicas sociais que fizeram mudar a vida de milhões de brasileiros. “A presidenta, neste segundo mandato, terá mais experiência o que permitirá fazer um governo melhor, aprofundando as mudanças sociais que o país vem experimentando nos últimos 12 anos.”, ressaltou o vereador.

A votação de Dilma, segundo Waldemir, representa também um sentimento de mudança que a presidenta soube ouvir e reorientar as ações de governo para que estejam de acordo com a vontade popular por mais mudanças. “As mudanças que o país precisa, e que a presidenta muito bem soube captar, estão concretizadas nas propostas de combate a corrupção, de controle sistemático da inflação e da reforma política”, salientou o parlamentar.

Além disso, ele afirmou que se a maioria da população escolheu Dilma é porque reconheceram todos os avanços positivos que o país teve nesses últimos 12 anos, sobretudo aqui no Amazonas, com a prorrogação da Zona Franca de Manaus (ZFM), com o Mais Médico, o projeto Minha Casa Minha Vida, Prouni, Pronatec, dentre outros.

EXEMPLO DE SUPERAÇÃO: De porteiro a professor.

Mesmo com uma rotina tão exigente, Erwin conseguiu se manter entre os melhores alunos da instituição. Para tornar o sonho possível, recebeu ...