"TODOS NEGROS": Policial conduzia sete homens amarrados pelo pescoço.


“Meu pai é trabalhador. Olha aqui a carteira dele.” Selma da Silva Santos chorava diante dos policiais, tentando provar que seu pai não era criminoso. Mas os agentes ignoraram seus apelos. Naquela operação, homens negros estavam sendo amarrados uns aos outros pelo pescoço, como nos tempos da escravidão. O mais revoltante é que isso aconteceu em 1982, no Brasil, 94 anos depois da Lei Áurea.

A cena ocorreu durante uma batida da Polícia Militar nos morros da Coroa e Cachoeira Grande, no Rio de Janeiro, quando o país ainda vivia sob a ditadura militar.

Segundo a reportagem publicada na época, 18 homens foram detidos numa operação que supostamente pretendia combater o tráfico de drogas. Alguns sequer tiveram a oportunidade de buscar seus documentos antes de serem levados.

Enquanto os policiais conduziam os detidos por cordas amarradas ao pescoço, mães, esposas e filhas protestavam, exibindo carteiras de trabalho para demonstrar que seus familiares eram trabalhadores.

Entre elas estava Terezinha Jesus América, de 60 anos, que implorava pela libertação do filho José Maria Américo, de 28.

Ele havia conseguido um novo emprego e começaria a trabalhar no dia seguinte. A mãe explicava, chorando, que precisava da ajuda dele para pagar as despesas de casa.

A justificativa apresentada pelos policiais tornou a situação ainda mais absurda.

O tenente Luís Cláudio, responsável pela operação, afirmou que não havia algemas suficientes e que, por isso, precisavam constranger psicologicamente os detidos.

Moradores que protestavam também foram ameaçados de prisão.

Foi nesse contexto que surgiu a fotografia que chocaria o Brasil, registrada por Luiz Morier, do Jornal do Brasil.

A imagem mostrava sete homens negros ligados por uma corda, enquanto um policial segurava uma das extremidades. A cena lembrava os registros de pessoas escravizadas conduzidas por seus captores no século XIX.

Mas havia um detalhe que tornava tudo ainda mais grave: posteriormente, constatou-se que os homens fotografados eram trabalhadores e não possuíam antecedentes criminais. Eles acabaram liberados.

A fotografia foi publicada na primeira página do Jornal do Brasil em 30 de setembro de 1982, provocou indignação e conquistou o Prêmio Esso de Fotografia em 1983.

O registro ficou conhecido como “Todos Negros”.

Na reportagem original, uma das mulheres tentava convencer os policiais de que seu filho precisava trabalhar no dia seguinte. Outra erguia a carteira profissional do pai, procurando provar sua inocência.

Quase um século depois da abolição, aquelas famílias ainda precisavam apresentar documentos para defender seus parentes, enquanto homens negros eram conduzidos pelas ruas com cordas amarradas ao pescoço.

FONTES:
• Jornal do Brasil — PM prende e leva favelados pelo pescoço; reportagem de J. Paulo da Silva, 30 de setembro de 1982.
• Câmara Municipal de São Paulo — Anais da 649ª Sessão Ordinária, 30 de setembro de 1982. Reprodução da reportagem original do Jornal do Brasil.
• Instituto Moreira Salles — Luiz Morier, Testemunha Ocular.
• Associação Brasileira de Imprensa — Todos negros, 2006.
• Ynaê Lopes dos Santos — Ventre do Brasil. Instituto Moreira Salles, 2022.

CONHEÇA A HISTÓRIA DE GERALDO ALCKMIN: UM POLÍTICO QUE PASSOU DE ADVERSÁRIO A VICE-PRESIDENTE DE LULA.


Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é uma das figuras mais experientes da política brasileira. Médico de formação, antigo governador do estado de São Paulo e atual vice-presidente da República Federativa do Brasil, a sua trajectória é marcada por décadas de participação na vida pública, disputas eleitorais, mudanças partidárias e importantes transformações nas suas alianças políticas.

ORIGENS E VIDA FAMILIAR

Geraldo Alckmin nasceu no dia 7 de Novembro de 1952, em Pindamonhangaba, no interior do estado de São Paulo, Brasil. É filho de Geraldo José Rodrigues Alckmin, veterinário, e de Myriam Penteado, professora. Cresceu numa família de raízes humildes e recebeu uma educação de forte influência católica. É casado com Maria Lúcia Ribeiro Alckmin, conhecida como Lu, com quem teve três filhos: Sophia, Geraldo e Thomaz. Em 2015, a família sofreu uma perda dolorosa com a morte do filho Thomaz, num acidente de helicóptero.

FORMAÇÃO ACADÉMICA E PROFISSIONAL

Alckmin estudou Medicina na Faculdade de Medicina de Taubaté, atualmente integrada na Universidade de Taubaté, tendo concluído a formação em 1977. Posteriormente, especializou-se em Anestesiologia no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo e também realizou formação em Acupuntura. Apesar de ter construído uma carreira política de grande dimensão, manteve ligação à área da Medicina, tendo exercido atividade profissional e participado em atividades académicas.

O INÍCIO DA SUA VIDA POLÍTICA

A sua entrada na política aconteceu em 1972, quando tinha apenas 19 anos e ainda frequentava a faculdade de Medicina. Filiou-se no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido que fazia oposição ao regime militar brasileiro. No mesmo ano, foi eleito vereador de Pindamonhangaba, tornando-se o candidato mais votado daquela eleição e chegando à presidência da Câmara Municipal. Em 1976, candidatou-se à prefeitura da sua cidade natal e venceu as eleições, tornando-se um dos mais jovens prefeitos do município. Exerceu o cargo entre 1977 e 1982. A partir daí, começou a construir uma carreira política que o levaria aos principais centros de decisão do Brasil.

DE DEPUTADO ESTADUAL A CONSTITUINTE

Em 1982, foi eleito deputado estadual de São Paulo. Quatro anos depois, em 1986, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, participando na Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição brasileira de 1988.

Durante a sua passagem pelo Congresso Nacional, participou em trabalhos legislativos ligados à saúde, à previdência social e à assistência social.

Também esteve associado à elaboração de iniciativas legislativas que contribuíram para a criação do Código de Defesa do Consumidor e para a legislação brasileira sobre benefícios previdenciários e assistência social.

Em 1988, participou na fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ao lado de importantes figuras políticas, entre elas Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro e José Serra.

VICE-GOVERNADOR E GOVERNADOR DE SÃO PAULO

Em 1994, foi eleito vice-governador de São Paulo, integrando a chapa liderada por Mário Covas. Os dois foram reeleitos em 1998. Com o afastamento de Covas por motivos de saúde, Alckmin assumiu o Governo do Estado em Janeiro de 2001. Após a morte de Mário Covas, em Março daquele ano, passou a exercer definitivamente a chefia do Executivo estadual. Em 2002, foi eleito governador nas urnas, consolidando a sua liderança política em São Paulo.

Em 2010, regressou ao Governo paulista através de uma nova eleição e foi reeleito em 2014. Ao longo da sua carreira, governou o estado durante quatro períodos, considerando a sua passagem pelo cargo entre 2001 e 2006 e os dois mandatos de 2011 a 2018. Durante os seus governos, promoveu políticas de concessões e parcerias com a iniciativa privada, investimentos em infra-estruturas e projectos nas áreas dos transportes e do abastecimento de água. A sua administração também enfrentou críticas e conflitos, nomeadamente relacionados com a crise hídrica de 2014 e 2015, a educação pública e as relações com os funcionários do Estado.

AS DISPUTAS PELA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Em 2006, Geraldo Alckmin decidiu disputar a Presidência da República pelo PSDB, enfrentando precisamente Luiz Inácio Lula da Silva, que procurava a reeleição. A disputa chegou à segunda volta, mas Lula venceu e garantiu a continuidade do seu Governo. Em 2008, Alckmin voltou a concorrer a um cargo executivo, desta vez à Prefeitura de São Paulo, mas não conseguiu vencer. Em 2018, voltou a disputar a Presidência da República, novamente pelo PSDB. Nessa eleição, terminou na quarta posição, com aproximadamente 4,76% dos votos válidos. Entre 2017 e 2019, também exerceu a presidência nacional do PSDB, partido ao qual esteve ligado durante mais de três décadas.

A SAÍDA DO PSDB E A APROXIMAÇÃO COM LULA

Em 2021, depois de mais de 30 anos de militância, Geraldo Alckmin deixou o PSDB, partido que ajudara a fundar. Em Março de 2022, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), num contexto de negociações políticas para integrar uma candidatura presidencial liderada por Lula da Silva. A decisão chamou a atenção da política brasileira, sobretudo porque Alckmin tinha sido adversário direto de Lula na eleição presidencial de 2006.

A antiga rivalidade deu lugar a uma aliança política construída em torno de uma frente ampla, que reuniu diferentes partidos e setores da sociedade brasileira.

Em Julho de 2022, a candidatura Lula-Alckmin foi oficialmente apresentada. A composição procurava ampliar o diálogo político e reunir apoios para além da base tradicional do Partido dos Trabalhadores.

A CHEGADA À VICE-PRESIDÊNCIA DO BRASIL

Nas eleições presidenciais de 2022, Lula da Silva e Geraldo Alckmin venceram a disputa contra Jair Bolsonaro e foram eleitos presidente e vice-presidente da República, respectivamente. A 1 de Janeiro de 2023, Alckmin tomou posse como vice-presidente do Brasil, assumindo também o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

No Governo, passou a desempenhar funções de representação institucional e articulação política, além de participar na condução de políticas relacionadas com a indústria, o comércio, os serviços e o desenvolvimento econômico. A sua experiência como antigo governador e dirigente partidário tornou-o uma figura importante na composição política e institucional do Executivo brasileiro.

UMA TRAJETÓRIA MARCADA PELA TRANSFORMAÇÃO POLÍTICA

A história de Geraldo Alckmin demonstra uma carreira política construída ao longo de várias décadas. Começou como vereador numa cidade do interior, passou pela prefeitura, pelo Parlamento, pela Assembleia Constituinte, pelo Governo de São Paulo e chegou à Vice-Presidência da República. Um dos capítulos mais conhecidos da sua trajectória é precisamente a passagem de adversário eleitoral de Lula da Silva para seu companheiro de chapa presidencial.

A sua história também permite compreender uma característica importante da democracia representativa: as alianças políticas podem mudar, antigos adversários podem estabelecer entendimentos e diferentes correntes partidárias podem construir projectos comuns, sem que isso apague as divergências do passado. Geraldo Alckmin é, assim, uma figura que ocupa um lugar relevante na história política contemporânea do Brasil, tanto pela longevidade da sua carreira como pelas transformações que marcaram o seu percurso.

Avião com grávida e criança de 5 anos cai e fica de cabeça para baixo no Amazonas.



Um avião de pequeno porte ficou de cabeça para baixo após sofrer um acidente na manhã deste domingo (1º), na rodovia Transamazônica (BR-230), entre os municípios de Humaitá e Apuí, no interior do Amazonas. As três pessoas que estavam a bordo ficaram feridas, entre elas uma criança de 5 anos e uma mulher grávida de aproximadamente nove semanas.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a aeronave com o bico voltado para o chão, em uma área de mata às margens de uma pista de barro. Segundo testemunhas, o avião estaria em procedimento de decolagem quando ocorreu o acidente. Os ocupantes pertencem à mesma família.

As vítimas foram identificadas como Marcela Pereira Pinheiro, de 35 anos, grávida de aproximadamente nove semanas; Beatriz Pinheiro Fagundes, de 5; e Elson Fagundes de Oliveira, de 45 anos.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), a criança sofreu uma ruptura no diafragma, que provocou o deslocamento do fígado, e apresentava estado de saúde grave. Elson teve um corte profundo na testa. Marcela não apresentava ferimentos aparentes e recebeu atendimento, além de acompanhamento psicológico.

Após o acidente, motoristas que passavam pela rodovia retiraram os ocupantes da aeronave e iniciaram o deslocamento em um veículo particular em direção a Humaitá.

Nas proximidades da balsa, uma equipe do Hospital Municipal encontrou as vítimas e assumiu o transporte até a unidade de saúde. Os bombeiros também foram acionados para prestar apoio, mas não precisaram atuar diretamente no resgate.

Segundo a corporação, a aeronave não apresentava vazamento de combustível nem oferecia risco imediato que exigisse intervenção no local.

FAB investiga acidente

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foram acionados para apurar o acidente envolvendo a aeronave de matrícula PU-BLR, em Humaitá.

Uma equipe do Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VII), sediado em Manaus, realizou a Ação Inicial, procedimento que envolve a coleta de informações, a preservação de elementos e a análise dos danos causados à aeronave.

Fonte: https://www.itatiaia.com.br/brasil/norte/am/aviao-com-gravida-e-crianca-de-5-anos-cai-e-fica-de-cabeca-para-baixo-no-amazonas/

"BALA MATA FOME?" "Mataram um estudante. Podia ser seu filho".


No fim da tarde de 28 de março de 1968, centenas de estudantes se reuniam no Calabouço, um restaurante popular no centro do Rio de Janeiro. Ali comiam alunos pobres, principalmente secundaristas, que são os estudantes do antigo segundo grau, e vestibulandos. A comida era barata, mas ruim, e o lugar era sujo e sem condições adequadas.

Por isso os estudantes organizavam passeatas com frequência para protestar, e foi o que aconteceu naquele dia. Dessa vez, porém, viaturas da polícia cercaram o local de surpresa. Os estudantes reagiram jogando pedras, e a Polícia Militar respondeu com rajadas de metralhadora.

Seis pessoas ficaram feridas. Uma delas foi atingida no peito e não resistiu: Edson Luís de Lima Souto, de apenas 18 anos. Segundo os relatos da época, o tiro partiu do comandante da tropa, o aspirante da PM Aloísio Raposo.

Edson era um menino pobre de Belém, no Pará, que tinha se mudado para o Rio com o sonho de terminar os estudos.

Ele fazia faxina no Calabouço em troca da comida e nem era ligado a movimentos políticos.
Naquele dia, ele estava ali jantando, como em qualquer outro, quando foi surpreendido pelo tiro.

O Brasil vivia a ditadura militar, período iniciado em 1964 em que o país foi governado por generais, sem eleições livres para presidente e com forte repressão a quem protestava.

Com medo de que a polícia sumisse com o corpo, os colegas carregaram Edson até a Assembleia Legislativa, onde 55 deputados estavam reunidos em sessão.

A sessão foi interrompida, e o corpo do estudante ficou estendido no saguão do prédio, à vista de todos. Assim ninguém poderia negar o que a polícia tinha feito.

Os estudantes decretaram greve geral, os teatros cancelaram seus espetáculos e centenas de pessoas passaram a noite no velório.

Na manhã seguinte, os jornais do Rio estampavam na primeira página a palavra "Assassinato". O país se perguntava como um estudante inocente, que não era militante, tinha sido morto daquela forma. 

Às 16h, mais de 50 mil pessoas acompanharam o cortejo até o cemitério São João Batista, em Botafogo. O caixão, coberto com a bandeira do Brasil, foi carregado por estudantes, deputados e artistas, enquanto a multidão cantava o Hino Nacional e moradores jogavam rosas do alto dos prédios.

Nos cartazes se lia "Os velhos no poder, os jovens no caixão", "Bala mata fome?" e a frase que virou símbolo do caso: "Mataram um estudante. Podia ser seu filho".

Uma semana depois, na missa de sétimo dia na Igreja da Candelária, a cavalaria da polícia cercou e atacou as pessoas que saíam da igreja. 

Os protestos se espalharam pelo país e, em junho, levaram à Passeata dos Cem Mil, a maior manifestação contra a ditadura até então.

A resposta do governo veio em 13 de dezembro de 1968, com o AI-5, o Ato Institucional número 5, um decreto que deu poderes quase totais aos militares. Com ele, o governo podia fechar o Congresso, cassar políticos e prender pessoas sem direito de defesa, e começava ali a fase mais dura do regime.

O Calabouço foi fechado, e ninguém foi punido pela morte de Edson. Por décadas, o caso ficou sem reconhecimento oficial.

Em 2025, a Assembleia Legislativa do Rio aprovou a inclusão do nome de Edson Luís no Livro dos Heróis e Heroínas do Estado.

A atualização mais recente veio em 30 de junho de 2026, quando o governo federal entregou à família a certidão de óbito retificada, numa cerimônia no Rio de Janeiro.

Retificar a certidão é corrigir o documento oficial que registra a morte.

Agora ele afirma que Edson morreu de forma violenta, causada pelo próprio Estado brasileiro durante a ditadura. Mais de 58 anos depois, o país reconheceu oficialmente que aquele tiro no Calabouço foi um crime do regime.

Fonte: Crimes e mistérios.

Ação Popular pede suspensão de salário do senador Flávio Bolsonaro.


Dois advogados entraram, na sexta-feira (30), com uma ação popular para pedir que sejam interrompidos os pagamentos de subsídios e verbas públicas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O parlamentar fugiu para os Estados Unidos, na última terça-feira (27), depois de perder a eleição presidencial e de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o obrigava a entregar seus passaportes para a Polícia Federal (PF).

O processo foi distribuído para a 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Os autores da ação, os advogados Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma, argumentam que sua permanência no exterior inviabiliza o exercício do mandato popular e lesa o erário, além de ferir a moralidade administrativa.

Segundo eles, a manutenção dos pagamentos e das estruturas de gabinete para o senador, que afirmou publicamente que "liderará a oposição" ao governo, a partir do exterior, representa desvio de finalidade dos recursos do Senado.

O pedido é para que seja interrompido o pagamento do salário, a verba de gabinete, o auxílio-moradia e a cota parlamentar (CEAPS) do congressista.

Fonte: Agência Brasil.

Conheça a primeira promotora de justiça quilombola do Brasil.


Karoline Bezerra Maia, natural do Maranhão, fez história ao se tornar a primeira promotora de Justiça quilombola do Brasil. Karoline é originária da comunidade quilombola de Jutaí, localizada no município de Monção, no Maranhão. Filha de pais analfabetos, ela se tornou a primeira da família a concluir o ensino superior.

Em suas próprias palavras, Karoline expressou o significado desse momento: “Foi um momento de êxtase, transbordava de felicidade, satisfação e realização não apenas pessoal, mas de toda a minha família, dos meus pais, que não estão mais presentes fisicamente, de toda a minha ancestralidade”.

DILMA ROUSSEFF: reparação em 2026 por tortura na ditadura militar.


Em 16 de janeiro de 1970, uma jovem mineira de 22 anos entrou num bar da região central de São Paulo usado como ponto de encontro de militantes. Dilma Vana Rousseff, nascida em Belo Horizonte e conhecida pelo codinome Estela, integrava a VAR-Palmares, organização de luta armada contra a ditadura. Saiu dali presa.

Levada à Operação Bandeirantes (Oban), foi torturada por 22 dias seguidos, como denunciou à Justiça Militar ainda em 1970.

Em depoimentos ao longo da vida, descreveu pau de arara, choques elétricos, palmatória, socos, fome e frio. Sobre os choques, resumiu: "Uma dor que não deixa rastro, só te mina".
Em janeiro de 1972, foi transferida para Juiz de Fora (MG) para responder a um processo militar.

Segundo depoimento dado em 2001 ao Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais e revelado em 2012 pelo jornal Estado de Minas, voltou a ser torturada e passou quase um mês isolada numa cela. "Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu", contou. De volta a São Paulo, segundo ela, um capitão do DOI-Codi terminou de arrancá-lo.

Condenada por subversão, ficou no Presídio Tiradentes, na ala chamada Torre das Donzelas. Em novembro de 1972, o Superior Tribunal Militar reduziu a pena e mandou soltá-la, após dois anos e dez meses atrás das grades.

Em 2008, já ministra, ouviu de um senador que teria mentido nos interrogatórios. Respondeu: "Mentir sob tortura não é fácil, porque aguentar a tortura não é fácil". E completou: "Não se dialoga com pau de arara ou choques elétricos".

Em 2014, como presidente, chorou ao receber o relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

Um pedido de reparação, feito em 2002, ficou suspenso a pedido dela enquanto ocupou cargos públicos e foi negado em 2022. Em 2025, a Comissão de Anistia a reconheceu como anistiada política e o TRF-1 garantiu o direito a reparação mensal.

Em 27 de outubro de 2026, o Ministério dos Direitos Humanos fixou um valor de R$ 17.562,80 por mês, baseado no salário da Fundação de Economia e Estatística do RS, de onde foi exonerada por perseguição política, além de R$ 6,6 milhões retroativos a 1997, descontados os valores já pagos.

QUEM É O “MENINO DE LULA”?


Com uma trajetória de destaque na matemática e uma relação com o presidente que começou na infância, Rafael Fonteles ganhou espaço nos bastidores da política nacional.

Governador reeleito do Piauí, Fonteles esteve ao lado de Lula durante o discurso da vitória, no último domingo, e atuou como um dos aliados do presidente na campanha de segundo turno. A proximidade colocou seu nome entre os cotados para assumir o Ministério da Fazenda. A possibilidade, porém, não representa uma indicação confirmada.

Antes de construir sua carreira política, Rafael chamou atenção pelo desempenho nos estudos. Aos 17 anos, passou em primeiro lugar no vestibular geral da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Concluiu o curso de Matemática na metade do tempo previsto, com notas máximas em todas as disciplinas.

Sua trajetória também inclui medalhas em competições internacionais de Química, Física e Matemática Universitária. Aos 18 anos, ele já havia criado o próprio cursinho pré-vestibular, unindo o interesse pela educação ao empreendedorismo.

A ligação com Lula atravessa gerações. Rafael é filho de Nazareno Fonteles, um dos fundadores do PT no Piauí, que costumava levá-lo ainda pequeno a atividades políticas. Uma fotografia antiga mostra o atual governador, ainda criança, sentado ao lado de Lula no sofá de casa — uma lembrança que ele guarda com carinho e que ajuda a explicar o apelido de “Menino de Lula”.

Na vida pessoal, Rafael é casado com a médica Isabel Fonteles e pai de três filhos. No domingo da eleição, foi acompanhado da família para votar. Fora dos números e da política, também gosta de pagode: foi em um encontro desse tipo que começou sua história com Isabel.

Agora, sua formação e sua atuação política despertam interesse para além do Piauí. Enquanto seu nome circula nas conversas sobre a composição do governo, permanece a expectativa sobre qual será seu papel na nova gestão.

Uma novo Colégio Adventista inaugurado em Irecê, Bahia!


Neste sábado, 31 de outubro, foi inaugurado o Colégio Adventista de Irecê, Bahia, uma nova unidade que chega ao município com a proposta de unir excelência acadêmica, princípios cristãos e formação para a vida.

Rede de Educação Adventista é uma das maiores redes de ensino confessional do mundo, com mais de 10.000 instituições e cerca de 2 milhões de alunos globalmente. No Brasil, a rede está presente desde 1896 (fundada em Curitiba por Guilherme Stein Júnior), contando com 339 unidades e mais de 282.000 alunos da Educação Infantil ao Ensino Superior.

A cerimônia aconteceu às 16h e marcará um momento especial para a Educação Adventista no centro-norte da Bahia.

Fonte: Adventista Bahia.

A morte do capitão do Exército Carlos Lamarca.


Carlos Lamarca nasceu em 1937 no Estácio, no Rio, filho de um sapateiro. Formado nas Agulhas Negras, era atirador de elite. Pouco antes de desertar, foi escalado pelo Exército para ensinar bancárias a reagir a assaltos.

Ele foi promovido a capitão do Exército durante a ditadura, em 1967, três anos depois do golpe de 1964.

O Exército o escalou para dar treinamento de tiro a bancárias do Bradesco, para que soubessem reagir a assaltos de grupos armados. As fotos desse treinamento saíram nas revistas da época.

Semanas depois, ele mesmo estava assaltando bancos para conseguir o dinheiro que grupos da luta armada precisavam. A VPR, como a ALN e outros grupos da época, chamava os assaltos de “expropriações” e os usava para financiar a guerrilha.

Em 24 de janeiro de 1969, aos 31 anos, fugiu do quartel de Quitaúna, em Osasco (SP), numa Kombi com um sargento, um cabo e um soldado, levando 63 fuzis FAL, três metralhadoras e munição.

Antes, mandou a mulher, Maria Pavan, e os dois filhos para Cuba. O Superior Tribunal Militar o considerou traidor.

Na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), virou comandante, e o rastro de mortes começou rápido.

Em 9 de maio de 1969, participou do assalto simultâneo a dois bancos no Brás, em São Paulo. Na saída, o guarda civil Orlando Pinto Saraiva tentou impedir a fuga e foi morto por Lamarca com dois tiros.

Meses depois, ele fez uma cirurgia plástica para mudar o rosto e seguiu na clandestinidade.

Em 1970, montou um campo de treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira (SP). Cercado por cerca de 2.500 militares, o grupo rendeu uma tropa da PM e levou como refém o tenente Alberto Mendes Júnior, de 23 anos.

Para não denunciar a posição com um disparo, o jovem oficial foi morto a coronhadas de fuzil por ordem de Lamarca.

Em 7 de dezembro de 1970, Lamarca comandou o sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, no Flamengo, Rio.

O agente da Polícia Federal Hélio Carvalho de Araújo, responsável pela segurança do diplomata, foi baleado por Lamarca e morreu em decorrência dos ferimentos.

Bucher ficou 40 dias em cativeiro e foi trocado por 70 presos políticos, enviados ao Chile.

Com a morte de Carlos Marighella, Lamarca virou o inimigo número 1 do regime. Em 1971, já no MR-8, fugiu para o sertão da Bahia com a companheira, Iara Iavelberg, que morreu em Salvador em agosto.

A Operação Pajuçara, comandada pelo major Nilton Cerqueira, reuniu 215 agentes. Lamarca e José Campos Barreto, o Zequinha, caminharam cerca de 300 km pela caatinga.

Em 17 de setembro de 1971, no povoado de Pintada, em Ipupiara, os dois foram encontrados descansando sob uma árvore.

Aos 33 anos, desnutrido e esgotado, Lamarca não ofereceu resistência e levou sete tiros, inclusive pelas costas. A versão oficial de tiroteio foi depois considerada falsa.

Dias depois, a censura ordenou: “qualquer publicação sobre Carlos Lamarca fica encerrada”. Em 1996, a Comissão de Mortos e Desaparecidos reconheceu que ele estava sob controle dos agentes e deveria ter sido preso, não executado.

Em 2007, a Comissão de Anistia o promoveu a coronel e garantiu indenização à família. O Clube Militar foi à Justiça alegando que um desertor não poderia ser premiado, e em 2015 a Justiça Federal anulou a promoção e as indenizações.

Para muitos militares, o Estado premiou um desertor responsável pela morte de três agentes da lei; para seus defensores, reparou uma execução.

Fonte: Casos criminais.

"TODOS NEGROS": Policial conduzia sete homens amarrados pelo pescoço.

“Meu pai é trabalhador. Olha aqui a carteira dele.” Selma da Silva Santos chorava diante dos policiais, tentando provar que seu pai não era ...