Getúlio Dornelles Vargas nasceu em 19 de abril de 1882, em São Borja, no Rio Grande do Sul, e se tornou um dos políticos mais importantes e polêmicos da história do Brasil.
Advogado de formação, chegou ao poder em 1930, à frente de um movimento armado que ficou conhecido como Revolução de 1930 e que pôs fim à chamada República Velha, período em que paulistas e mineiros se revezavam no comando do país.
Primeiro, chefiou um governo provisório. Depois, em 1934, foi eleito presidente pela Assembleia Constituinte. Em 1937, com o apoio dos militares, deu um golpe e instalou o Estado Novo, uma ditadura que fechou o Congresso, censurou a imprensa e perseguiu, prendeu e exilou opositores.
Foi nesse período que surgiram medidas que até hoje fazem parte da vida dos brasileiros, como o salário mínimo, a carteira de trabalho e a Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, de 1943. Em seu governo, as mulheres também conquistaram o direito ao voto, em 1932, e o país ganhou a Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda.
Por isso, Vargas ficou conhecido por muitos como o "pai dos pobres", enquanto seus críticos o lembram como um ditador.
Em 1945, foi afastado do poder pelos próprios militares, mas voltou nos braços do povo: em 1950, venceu as eleições presidenciais pelo voto direto. Nesse segundo mandato, criou a Petrobras, em 1953, sob o lema "O petróleo é nosso".
O governo, no entanto, enfrentou forte oposição, principalmente do jornalista e político Carlos Lacerda, além de denúncias de corrupção e da pressão de setores das Forças Armadas.
A crise chegou ao auge em 5 de agosto de 1954, quando Lacerda sofreu um atentado na Rua Tonelero, no Rio de Janeiro, então capital do país. Ele foi ferido no pé, mas o major da Aeronáutica Rubens Vaz, que o acompanhava, morreu.
As investigações apontaram que o crime havia sido organizado por Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente. Embora não houvesse prova de que Vargas soubesse do plano, a pressão pela sua renúncia cresceu, e militares de alta patente passaram a exigir a sua saída.
Na madrugada de 24 de agosto de 1954, Vargas participou de uma reunião tensa com seus ministros e, em seguida, recolheu-se ao quarto, no Palácio do Catete. Pela manhã, por volta das 8h30, familiares e funcionários do palácio ouviram um disparo. Ao entrarem no quarto, encontraram o presidente deitado na cama, de pijama, ferido com um tiro no peito e com una arma ao lado. Ele morreu aos 72 anos.
Sobre a mesa, estava uma carta de despedida, que ficou conhecida como carta-testamento, na qual ele acusava grupos nacionais e estrangeiros de agir contra ele e o povo brasileiro. A frase final se tornou uma das mais famosas da política nacional: "Saio da vida para entrar na história".
A notícia provocou uma onda de comoção e revolta em todo o país. Multidões tomaram as ruas, jornais de oposição foram atacados, e Carlos Lacerda precisou deixar o Brasil por um tempo.
A versão oficial, aceita pela maioria dos historiadores, é a de que o tiro partiu das mãos do próprio presidente, que “desistiu da vida” diante da crise.
Mesmo assim, ao longo das décadas surgiram diversas teorias. Alguns defendem que Vargas teria sido assassinado e que a cena teria sido montada para parecer obra dele mesmo. Outros questionam a autoria da carta-testamento, já que o texto foi datilografado e não escrito à mão, e há registros de que um assessor teria ajudado a redigi-lo. Nenhuma dessas teorias, porém, foi comprovada até hoje.
Setenta e dois anos depois, Getúlio Vargas continua a dividir opiniões. Para uns, foi o presidente que deu direitos aos trabalhadores e modernizou o país. Para outros, foi um ditador que governou sem respeitar a democracia. O certo é que, como ele mesmo escreveu, saiu da vida para entrar na história.
Fonte: Crimes & Mistérios.


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