SALVARAM A DEMOCRACIA: Comandantes da Aeronáutica e do Exército evitaram o golpe.


Carlos de Almeida Baptista Júnior comandava a Aeronáutica quando Jair Bolsonaro discutiu com chefes militares medidas para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Em depoimento à PF, tornado público em 2024, afirmou que Bolsonaro apresentou aos comandantes uma minuta com medidas de exceção. Relatou ainda ter avisado ao general Augusto Heleno que ele e a FAB não apoiariam qualquer ruptura institucional. A investigação da PF apontou que as negativas de Baptista Júnior e do então comandante do Exército, Freire Gomes, foram decisivas para impedir o avanço do plano.

Diante do STF, Baptista Júnior manteve o relato. Descreveu reuniões no Palácio da Alvorada, discussões sobre a minuta e até um “brainstorming” no qual foi aventada a prisão de Alexandre de Moraes. Também reafirmou que o então comandante da Marinha, Almir Garnier, colocou suas tropas à disposição. Em outra oitiva, contou ter sofrido “muitos ataques” contra ele e sua família por não aderir à tentativa de golpe.

Agora na reserva, Baptista Júnior voltou a falar publicamente. Em entrevista recente, afirmou que o Brasil esteve “muito próximo” de uma ruptura institucional e revelou que a cúpula militar chegou a procurar integrantes de outras instituições diante do risco. Ele também relata ter perdido amizades e enfrentado hostilidade após sua posição. Esses bastidores estarão em “Eu Disse Não! — Uma Trincheira Antigolpista”, livro no qual narra sua experiência no comando da FAB e sua recusa às pressões por uma ruptura.

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