Vice de Marina é notificado pelo Ibama


SALVADOR - O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) confirmou que fiscais do órgão notificaram o empresário Guilherme Leal, candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, do PV, após vistoria feita em terreno de sua propriedade, no sul da Bahia.

Em nota oficial, o presidente do instituto, Abelardo Bayma, informou que a fiscalização foi motivada por "denúncia formal protocolada no escritório do Ibama de Ilhéus e, também, via telefone, no Sistema Linha Verde da Ouvidoria do instituto, em Brasília".

Bayma acrescentou que, na ocasião, os fiscais constataram "a existência de edificações e outras instalações que alteraram a paisagem natural em área de Mata Atlântica". A notificação solicitou a apresentação de projeto de licença ambiental para a implantação de rede de energia no imóvel rural denominado Pontal da Barra do Tijuípe, bem como a licença para construção de bangalôs.

Em nota, Leal afirmou que "a instalação recebeu todas as licenças e autorizações dos órgãos competentes". O candidato a vice-presidente na chapa do PV acrescentou que em nenhum momento foi acusado de prática de crime ambiental por qualquer órgão fiscalizador.

"Em um procedimento de praxe, o Ibama apenas solicitou informações sobre a obra em execução na propriedade", ressaltou Leal. Na nota, ele afirmou ainda que "está aberto" a qualquer esclarecimento que for solicitado.

Leal disse que a propriedade tem 80 hectares, "dos quais apenas quatro hectares, que há muitos anos estavam desprovidos de vegetação nativa, foram ocupados para instalação de uso privado".

Fonte: Jornal do Brasil

O vôo atabalhoado de um tucano

Era uma vez um tucano de bico amarelo e extenso, tez cansada e madeixas escassas. Este tucano, já senil, realizava vôos diários e tranqüilos por São Paulo, pontualmente às onze horas, pois costumava dormir doze horas por dia, fato que, segundo seu médico, ajudava-lhe a rejuvenescer as penas. Elaborava seus vôos diários conforme a direção dos ventos. E assim, lá ia ele, solitário, mas seguro de si, com as asas abertas sobre os arranha-céus de São Paulo. Não se preocupava com nada, com política, com articulações, com vice, com tempo de televisão. Seus vôos eram calmos, sem obstáculos ou tempestades.

Certa vez, apareceu-lhe em sonhos outro tucano, também de bico amarelo e extenso, levemente inclinado para cima. Era de outra linhagem tucana, da família uspiana. Este o aconselhou a alçar vôos mais altos, dizendo-lhe:

- Não devemos nos contentar somente com a cidade da garoa, pois a feia fumaça que sobe apagando as estrelas um dia irá nos sufocar.

- O que faremos então?

- Vamos percorrer o vasto território brasileiro. Primeiro vamos conquistar a terra dos mineiros e cortar as asas daquele outro tucano de bico amarelo e extenso que costuma comer quietinho. Depois iremos para o Sul, onde demonstraremos praquele povo que a nossa experiência por lá não deu fruto por falta de pulso daquela filha da fruta. Em seguida, rumaremos ao Centro-Oeste, onde convenceremos o povo a plantar soja no Pantanal. Depois, voaremos para o Nordeste na certeza de provar a todos que rapa dura é doce e pode ser mole de engolir. E finalmente chegaremos ao Norte, nossa casa, onde construiremos ninhos na copa das árvores.

O tucano senil, meio cético, retrucou:

- Isso tudo é muito bonito e até excitante. Mas não posso voar sozinho, pois não tenho o barulho da voz dos periquitos, a fome dos urubus e a esperteza dos gaviões. Por isso pergunto: quem será meu companheiro nessa viagem?

O tucano uspiano meneou a cabeça e disse-lhe:

- Vamos te arrumar um vice que conhece a terra, o meio ambiente e respeita as aves. Ele será jovem e destemido e virá das hostes de nosso maior aliado.

E assim, o tucano senil foi convencido do projeto estratégico do tucano vaidoso. Abandonou seus vôos diários por São Paulo e começou a sua peregrinação pelo Brasil. Em junho, no último segundo do último minuto da última hora do prazo para escolha do vice, foi anunciado o seu companheiro nesta viagem: o deputado federal Índio da Costa, do ex-PDS, PFL e agora DEM. O problema é que no caminho da dupla tem uma pedra e, debaixo dela, um molusco. Este firmou compromissos com um batráquio anuro. No que vai dar o casamento de lula com rã?

Josué Montenello Jr. -  jmontenello@hotmail.com

Será realizado dia 28 de julho de 2010, no Auditório da Universidade do Estado do Amazonas - UEA, o I Encontro de Catadores e Catadoras de Material Reciclado do Amazonas. O evento contará com a presença do Sr. Francisco das Chagas da Secretaria Executiva do Comitê Interministerial de Inclusão do Catador e tem o apoio da Cáritas, SEBRAE-AM, ALE-AM, IPAAM, Banco do Brasil, Grupo Inter-Açao- UFAM e da ong NYMUENDAJU. Informações com Marcela (92 - 9231-1090/3212-9090), Paulo (92 - 9178-4722) e Rosa (92 - 9226-6462/3305-5305). E-mail: mvieira05@gmail.com .

NOTÍCIA URGENTE!


A Universidade do Estado do Amazonas - UEA terá em breve um novo Reitor. Uma fonte confiável nos informou que a pessoa pertence à Universidade Federal do Amazonas - UFAM. No entanto, não podemos informar o nome pois não fomos autorizado, aguardem que informarei o nome do nvo "Magníssimo". Fiquem de olho!

"PROGRAMA A TARDE É NOSSA" - RÁDIO RIO MAR

Ouçam na Rádio Rio Mar de segunda a sexta-feira, das 14:00 as 17:00 horas, o programa "A TARDE É NOSSA", apresentado pela Francely Sales.

Contato:


RÁDIO RIO MAR
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ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Nacionais:


  • Poupança bate recorde. Captação de R$ 12,2 bilhões no semestre é a maior desde o início do Plano Real. O brasileiro está apostando na poupança. O efeito pode ser visto pela captação dos seis primeiros meses do ano, que chegou a R$ 12,24 bilhões. O volume (saldo entre depósitos e retiradas) é o maior desde que o Banco Central começou a tabulação, em 1995. Crescimento de renda e de emprego é apontado como a fonte da confiança nessa aplicação;
    Produção industrial aumenta em 06 de 14 regiões em maio. Maior alta em comparação ao mês anterior foi no Pará, de 17,7%, diz IBGE;

  • Expansão acelerada de celular. Até maio, os brasileiros adicionaram 9,7 milhões de linhas à base de celulares, um recorde para os últimos dez anos, segundo a Anatel;

  • Multiplan vai investir R$ 1,3 bilhão em novos shoppings e estuda aquisições. Com planos ambiciosos, grupo carioca ainda tem R$ 980 milhões em caixa e pode fazer aquisições para acelerar expansão;

  • A Gol e a americana Delta Airlines anunciam hoje um acordo que permite que os seus passageiros possam acumular milhas nos programas de milhagens de ambas as companhias;

  • Aumento no plantio de algodão. Diante de um cenário de oferta mundial escassa, os produtores brasileiros de algodão devem ampliar em 20% a área plantada com a cultura no próximo ciclo de 2010/11;

  • O goleiro Bruno está foragido. O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu sua prisão temporária, de cinco dias. A situação do goleiro ficou mais complicada após o depoimento de um novo personagem. Um adolescente, primo do atleta, confessou ter agredido a modelo Eliza Samúdio com uma coronhada e disse que ela foi assassinada. Criminalistas avaliam que ausência do corpo pode dificultar punição.

Política:

  • Lula diz que vai intensificar presença na campanha de Dilma em agosto;
  • Lula diz que nunca ouviu falar no nome do vice de Serra;
  • Dilma está tendo performance extraordinária, diz Lula. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff (PT), amadureceu e está tendo uma performance "extraordinária". "Há quatro meses, eu disse que, se a minha candidata tivesse dificuldades, eu faria um esforço maior. Não é o que está acontecendo";
  • Dilma iniciou a sua campanha e pediu ao povo que defenda legado de Lula. A candidata do PT à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) iniciou ontem sua campanha para as eleições de outubro pedindo aos brasileiros que "tomem as ruas" e "defendam" com seu voto as "conquistas sociais" do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva;
  • Dilma disse: "fiquei entusiasmada com o primeiro ato da campanha.Milhares de pessoas na esquina da democracia aqui em P.Alegre,muito carinho e animação";
  • Cinco mil pessoas acompanham Dilma pelo centro de Porto Alegre;
  • Dilma: "questão social não pode ser usada como “artefato eleitoral”;
  • Dilma - Chegou a hora de ir às ruas.Queremos uma campanha de alto nível,em que predomine o debate de ideias p/que o eleitor escolha democraticamente;
  • Dilma quer isenção total de imposto sobre investimento. Candidata à Presidência chamou estrutura de impostos do País de 'caótica' e disse que pretende realizar a reforma tributária;
  • Dilma propõe adoção de modelo desenvolvimentista amparado no crescimento acelerado;
  • Tribunal eleitoral multa José Serra pela primeira vez. O Tribunal Superior Eleitoral multou pela primeira vez o candidato tucano José Serra por propaganda eleitoral antecipada. A punição de R$ 5.000 ocorreu devido a inserções na Bahia. O PSDB vai recorrer;
  • Alckmin sugere corrigir tarifa de pedágios e irrita tucanos. Criticado por adversários por implantar pedágios em SP, o ex-governador e candidato do PSDB ao governo, Geraldo Alckmin, prometeu "corrigir" valores cobrados. Como Vice de Mário Covas (95-2001), Alckmin foi responsável pela privatização de rodovias. Tucanos irritaram-se com a abordagem do tema, visto como munição para oponentes.
Esportes:

- Copa 2010 - Holanda vence Uruguai por 3 a 2 e está na final da Copa;

- Copa 2010 - Lula propõe que CBF mude sua direção a cada oito anos. Presidente disse que entidade que controla o futebol devia seguir o exemplo do Sindicato dos Metalúrgicos;

- Copa 2010 - Polvo 'prevê' vitória da Espanha sobre a Alemanha.

Internacionais:

- Juiz boliviano foge e pede asilo ao Brasil. O juiz boliviano Luis Ernando Tapia Pachi pediu asilo político ontem em Corumbá (MS). Ele alegou perseguição por parte do governo de Evo Morales. Pachi estava no caso do assassinato de três suspeitos de conspirar para matar Morales;

- Caso de doações ilegais na França atinge Sarkozy. A ex-contadora de Liliane Bettencourt, do grupo L'Oréal, disse ter pago € 150 mil em espécie para financiar a campanha de Nicolas Sarkozy; a lei francesa veta. O presidente chamou a acusação de "calúnia";

- Obama elogia premiê de Israel e garante apoio.

Notícias de Brasília/DF:

- Agnelo parte para o corpo a corpo. Começou sua maratona eleitoral às 6h30, pela cidade mais populosa do Distrito Federal. Em Ceilândia, o petista pediu votos ao lado do candidato a vice em sua chapa;

- Câmara Legislativa, casa de milionário. No Distrito Federal, fazer política rende um ótimo negócio. A análise de bens dos deputados distritais mostra que o sucesso financeiro é consequência do bom desempenho nas urnas. Dos 24 parlamentares eleitos há quatro anos, 19 ficaram mais ricos durante o mandato. E se em 2006 apenas quatro integrantes do Legislativo acumulavam mais de R$ 1 milhão em bens, a bancada milionária cresceu para 11 políticos em 2010. A conta bancária mais polpuda é de Eliana Pedrosa (DEM). Somente na atual legislatura, o patrimônio da democrata prosperou de R$ 3,6 milhões para R$ 7,1 milhões — um salto de 136%. Uma justificativa comum dos parlamentares endinheirados é a especulação imobiliária, que levou às alturas o preço de casas e terrenos. “Tenho culpa se a cidade se valorizou?”, esquiva-se Alírio Neto, que viu sua riqueza aumentar 569%; (1)

- Mensaleiros do DF tentam novo mandato na Câmara Legislativa. Políticos como o deputado Geraldo Naves, que chegou a ser preso, pediram registro ao TER;

- Referência em concurso, Cespe vira caso de polícia. Órgão reconhecido pela excelência em realizar seleções públicas, Centro de Promoção e Seleção de Eventos da UnB está citado em 10 das 12 fraudes constatadas pela Operação Tornado.

Fonte: Blog da Dilma

ALDO REBELO(PC do B) RASGA O CÓDIGO FLORESTAL!


A comissão especial que analisa mudanças no Código Florestal aprovou nesta terça-feira (6) o projeto que trata do tema mantendo o texto do relator, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Os destaques foram rejeitados e o projeto está agora pronto para votação em plenário, mas isso deverá acontecer apenas após o período eleitoral.

Aldo afirma que seu relatório tem a intenção de regularizar a situação de 90% dos produtores rurais brasileiros, que estariam atualmente na ilegalidade. A idéia é fazer uma consolidação das áreas que já estão em uso na agricultura e proibir o desmatamento nos cinco anos posteriores à promulgação da lei.

O Relator apresenta mudanças no projeto que altera o Código Florestal Relator descarta adiar votação de projeto de lei sobre Código Florestal para 2011. O texto afirma que nas pequenas propriedades, com até quatro módulos rurais, não é preciso fazer a recomposição das áreas já desmatadas de sua reserva legal. Nas áreas maiores, a recomposição florestal tem que ser feita em áreas do mesmo bioma e no prazo de 20 anos.

Uma das polêmicas é que a pessoa que regularizar sua propriedade terá uma espécie de “anistia” das multas que sofreu por causa do desmatamento ou da não preservação da área de reserva legal.

Outra mudança feita por Aldo nessa semana flexibiliza a possibilidade de desmatamento de florestas que tenham autorização ou tenham licenciamento ambiental. Pelo relatório anterior, só poderia desmatar quem obteve essa permissão até 22 de julho de 2008. Com o novo texto, o desmatamento será permitido para quem conseguir a permissão até a promulgação da lei. O argumento de Aldo é que a data anterior poderia provocar “problemas jurídicos”.

Outro tema controverso é sobre a possibilidade de flexibilização do tamanho da área de preservação permanente na margem dos rios. Aldo retirou de seu texto a permissão de que os estados reduzam pela metade essa reserva. O relatório, no entanto, abre a possibilidade que algum órgão do Sistema Nacional de Meio Ambiente faça alterações no tamanho das áreas de preservação permanente. Entre os órgaõs do sistema existem conselhos estaduais.

Para críticos do projeto, as mudanças feitas pelo relator nos últimos dias não resolveram o problema. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) é um dos mais exaltados contra o projeto. Para ele, a proposta beneficia principalmente os grandes produtores e é um risco para o meio ambiente.

“Podemos estar cometendo aqui um grande retrocesso na questão ambiental. Estamos mudando aqui para atender a interesses pequenos, isolados. A questão ambiental é de todos”, protestou o líder do PV, Edson Duarte (BA).

A votação aconteceu depois de muito debate e sob forte obstrução dos parlamentares ligados à causa ambientalista. Eles tentaram de toda a forma adiar a votação, mas não conseguiram.

A sessão foi acompanhada por dezenas de militantes a favor e contra a mudança no código. A segurança foi reforçada na sala em que se realizou a reunião, mas mesmo assim manifestantes do Greenpeace conseguiram entrar na frente da mesa da presidência com faixas contra o relatório de Aldo. Após a votação, defensores do código comemoraram gritando “Brasil” enquanto os adversários respondiam com o grito de “retrocesso”.

Fonte: http://g1.globo.com/

AGENDA DA DILMA


Chegou a hora que estávamos esperando! A campanha eleitoral começa oficialmente hoje e a partir de agora cada um de nós assume um papel estratégico para eleger Dilma Rousseff - a primeira mulher a ser Presidente do Brasil!

Temos uma longa caminhada até o dia 03 de outubro, quando homens e mulheres de todo o país levarão sua decisão às urnas. Até lá, precisamos trabalhar juntos. Com determinação, propostas e respeito aos nossos adversários, faremos a diferença nas eleições deste ano.

Para continuar o projeto iniciado por Lula, vamos juntos! Por que Agora é Dilma!

Agenda

Fique de olho na programação da nossa candidata. Participe das ações, envie suas mensagens de apoio e lembre-se: criatividade é a palavra-chave para mostrarmos por que a nossa militância é a mais mobilizada, aguerrida e vitoriosa do país!

Terça-feira (6/7)

A partir das 11h, acompanhe e divulgue as atividades da Dilma em Porto Alegre, durante o lançamento da candidatura de Tarso Genro ao governo do Rio Grande do Sul.

Quarta-feira (7/7)

Dilma participa da caminhada de arrancada da campanha em São Paulo. A concentração inicia às 11h, em frente ao Teatro Municipal.

Confira também os portais:


www.dilmanaweb.com.br


www.galeradadilma.com.br


www.participabr.com.br

A TORRE DAS DONZELAS: a vida de Dilma Rousseff no presídio Tiradentes

A TORRE DAS DONZELAS - Luiza Villaméa e Claudio Dantas Sequeira*

Como era a vida de Dilma Rousseff na masmorra que abrigava presas políticas durante o regime militar no presídio Tiradentes.

Durante quase três anos, Dilma Rousseff, a candidata do PT à Presidência da República, morou na Torre das Donzelas. A construção colonial não pertencia a nenhum palácio. Encravada no presídio Tiradentes, em São Paulo, ganhou o singelo nome por abrigar presas políticas do regime militar. Para chegar à Torre, Dilma e suas companheiras atravessavam um corredor com celas em uma das laterais. Os cubículos eram ocupados pelas corrós, as presas correcionais, tiradas de circulação por um mês, em geral por vadiagem ou prostituição. Essas mulheres costumavam ficar seminuas ou com a roupa virada pelo avesso, para se apresentarem em trajes limpos quando liberadas.

“Terrorista! Linda! O que você está fazendo aqui?”, gritavam as corrós ao verem passar uma nova presa política. Depois do corredor, havia um pequeno pátio. Em seguida, vinha a Torre. Dilma atravessou o corredor das corrós em fevereiro de 1970, aos 23 anos, após mais de 20 dias nos porões da repressão política. “Ela chegou fragilizada pela tortura, mas logo se recuperou”, lembra a jornalista Rose Nogueira, 64 anos, que passara pelo mesmo processo três meses antes.

O presídio Tiradentes, onde Dilma esteve presa, já havia sido usado para encarcerar os estudantes detidos no Congresso da UNE em Ibiúna (SP), em 1968. Na era Vargas também abrigara presos políticos, entre eles o escritor Monteiro Lobato. Criado em 1852, o presídio Tiradentes recebeu no começo escravos recapturados. A Torre das Donzelas, onde ficaram Dilma e suas companheiras, é a construção redonda ao centro. Todo o complexo foi demolido a partir de 1973, durante a construção do metrô. Assim, diante desse presídio, mães de estudantes faziam protesto contra a prisão de seus filhos. As mães das “donzelas da Torre” chegavam para as visitas nas tardes de sábado. Era o contato delas com o “mundão”.

Ao entrar pela primeira vez na Torre, Dilma viu as celas pequenas do térreo e duas escadarias laterais que saíam de uma espécie de hall e se encontravam no piso superior. Nesse andar, havia a cela 4, chamada de celão, pois se espalhava por 80 metros quadrados. Tinha também a cela 5, mais tarde adaptada como cozinha, e a 6, que Dilma dividiu com outras mulheres. “No começo, ficávamos na tranca o tempo todo”, conta a advogada Maria Aparecida Costa, a Cida Costa, 65 anos, uma das ocupantes da cela 6. Depois de algumas semanas e muitas reivindicações, as celas passaram a ficar abertas durante o dia.

Não demorou para que as donzelas da Torre se agrupassem, primeiro com base nas organizações clandestinas às quais pertenciam no “mundão”. Porque a Torre, no vocabulário das presas, era o “mundinho”. Mas as afinidades pessoais também contavam muito, como relata a médica e pesquisadora Guiomar Silva Lopes, 66 anos. “No mundão, o vínculo era de vida e morte”, diz Guiomar. “Na cadeia, estabelecemos uma relação de confiança inabalável.” Dilma é até hoje lembrada pelo espírito solidário. Durante um período, cuidou de uma estudante de arquitetura. “Quando a menina chegou da tortura, estava muito desestruturada emocionalmente”, afirma a advogada Rita Sipahi, 72 anos. “A Dilma ficou de olho nela o tempo todo para evitar que cometesse algum desatino.”

Com a possibilidade de circular entre as celas, as presas políticas tentavam curar as feridas umas das outras e também se organizavam. Havia escala para as tarefas da limpeza e da cozinha. Com os víveres levados pelas famílias, elas preparavam as próprias refeições. Algumas conseguiam bons resultados, embora só contassem com dois fogareiros elétricos. Outras, nem tanto. A dupla mais desastrada na cozinha era formada por Dilma e Cida. “Não dominávamos a arte do tempero”, reconhece Cida. Numa ocasião, as duas resolveram caprichar no preparo de um prato de legumes. Acabaram servindo uma sopa de quiabo intragável. “Ficamos um pouco frustradas com o resultado, pois havíamos nos esforçado.”

Dilma se sobressaía nos grupos de estudo. “Ela é muito engenhosa na macroeconomia”, elogia outra companheira da Torre, a economista Diva Burnier, 63 anos. Na cadeia, Dilma, que abandonara a faculdade por causa da clandestinidade, dava aulas de economia para as colegas e participava dos debates. Num deles, defendeu a ampliação dos limites marítimos do Brasil. “Embora fosse uma iniciativa dos militares, Dilma apoiava, pois acreditava ser uma questão de soberania”, recorda Rose. “Hoje é fácil perceber a importância daquela decisão, tanto por causa da biodiversidade como pelo pré-sal.”

Aos 82 anos, a advogada Therezinha Zerbini, mulher do general Euryale de Jesus Zerbini, cassado em 1964, também recorda de Dilma com admiração. Presa na Torre durante o ano de 1970, Therezinha se destacava tanto pela origem quanto por ser uma senhora entre a população carcerária extremamente jovem. “As amigas dela me chamavam de ‘burguesona’ e ela me defendeu. Ela tinha uma liderança nata”, diz Therezinha. Quando precisava, Dilma endurecia. No final do ano, Therezinha estava bordando o vestido que a filha usaria no Réveillon quando um grupo de militares a procurou. “Acho que queriam me convencer a entrar num programa de arrependidos”, diz, referindo-se aos presos que foram à tevê renegar a opção pela resistência ao regime. “Não quis atendê-los. Eles voltaram mais tarde e, quando eu estava mandando-os ir embora, a Dilma gritou: ‘Dá duro neles, Therezinha. Se precisar, nós colocamos todos para fora’ .”

Naqueles tempos, a atitude desafiadora só seria possível mesmo no presídio Tiradentes. Como muitos torturadores costumavam repetir durante as sessões que promoviam, o Tiradentes “era o paraíso”. Isso porque, ao entrar no presídio, a pessoa estava com a prisão reconhecida pelo Estado. Às vezes, era levada para interrogatórios em outras instituições, mas praticamente não corria risco de morrer ou “desaparecer”. Na escala macabra estabelecida nos porões do regime, a Operação Bandeirante (Oban) era o inferno, ficando o purgatório por conta da Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Como várias companheiras de cadeia, Dilma passou pelo inferno e pelo purgatório antes de chegar à Torre.

Por conta das sevícias, sofreu uma disfunção hormonal que levou anos para ser curada. Não perdeu, porém, o gosto pela vida. Com Cida, passava horas lendo os livros de ficção científica. Quando o rodízio do único aparelho de tevê da Torre caía em sua cela, entrava na madrugada vendo os filmes da sessão “Varig, a dona da noite”. Aprendeu até a bordar. “Ela fez uma tapeçaria com flores coloridas, que colocamos na parede”, lembra Rose. Na Copa do Mundo de 1970, acompanhou os jogos de perto. “A Dilma torceu muito pela Seleção Brasileira”, diz a socióloga Rosalba de Almeida Moledo, 66 anos.

No período em que o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, seu companheiro, permaneceu encarcerado no Tiradentes, Dilma se comunicava com ele com a ajuda dos presos comuns. A rota usada por ela e outras presas políticas consistia em baixar mensagens por meio de uma corda artesanal, chamada “teresa”, para a carceragem dos “comuns”, que ficava embaixo da Torre. “De cela em cela, as mensagens chegavam ao destinatário, na ala dos presos políticos”, comenta Guiomar. “O recurso também era fundamental para sabermos o que estava acontecendo lá fora.”

Outro canal com o “mundão” eram as visitas, nas tardes de sábado, a maioria proveniente da capital paulista. “Nossas famílias, de Belo Horizonte, não conseguiam viajar com tanta frequência”, diz a pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo, Eleonora Menicucci de Oliveira, 66 anos. “De qualquer forma, a mãe da Dilma e o irmão dela conseguiam vir bastante. Era uma alegria.” Para a mãe e as irmãs de Eleonora, viajar era mais complicado. Elas cuidavam de Maria, a filha de Eleonora, que tinha apenas um ano e dez meses quando a mãe foi presa.

Conhecidas desde os tempos em que estudavam em Belo Horizonte, Dilma e Eleonora comemoravam com as meninas da Torre o Natal, o Réveillon e o Carnaval. As fantasias eram improvisadas, é claro, mas havia até desfile no “celão”. No caso de Dilma, as estratégias para manter o moral elevado atrás das grades também passava pelo humor. “Ela pôs apelido em todas nós”, conta Rita. “Uma era a Ervilha, outra a Moló, porque tinha jogado um coquetel-molotov em uma ação.” Essa faceta pouco conhecida de Dilma é ressaltada por outras entrevistadas. “Ela tem um humor impagável”, garante Eleonora. Quando a hoje presidenciável deixou a Torre, as companheiras de cadeia repetiram o ritual criado para o momento da libertação: cantaram “Suíte do Pescador”, de Dorival Caymmi, que começa com o verso “Minha jangada vai sair pro mar”. Quase 40 anos depois, tudo o que sobrou do presídio foi o portal de pedra, tombado como patrimônio histórico. No final de 1972, a construção de 1852 começou a ser demolida, para a construção do metrô paulistano.

* Adaptação da reportagem publicada na Revista Isto é, edição no. 2120, de 25 junho de 2010

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens. Acessado em 29 de junho de 2010

MONALE REALIZA SEU 2o. FESTIVAL DE MÚSICA


O Movimento Nacional pela Educacão - MONALE, realizará nos dia 20, 21 e 22.08.10, o 2º FESTIVAL CANTA TARUMÃ DE MÚSICA POPULAR. O festival é um importante evento, pois mosta à sociedade que a periferia NÃO PRODUZ SOMENTE DESGRAÇA, como a mídia publica. A periferia produz ARTE e CULTURA também. Na periferia tem grandes artistas, compositores e poetas que carecem de um espaço para tornar público sua obra. A cultura, neste estado, está restrito ao teatro Amazonas e seus Largos, não sendo possível o acesso daqueles e daquelas residentes na periferia de nossa cidade, uma vez que para se chegar ao Teatro as dificuldades são muitas, principalmente no que se refere ao quesito finança. Contato com Antônio Fonseca pelo telefone (92) 9162-4048.

EXEMPLO DE SUPERAÇÃO: De porteiro a professor.

Mesmo com uma rotina tão exigente, Erwin conseguiu se manter entre os melhores alunos da instituição. Para tornar o sonho possível, recebeu ...