Todo mês de agosto a discussão volta pras redes sociais: “Por que as escolas estão acabando com o Dia dos Pais?” E logo aparecem as explicações emocionadas: ideologia, desconstrução da família, tentativa de apagar a figura paterna.
Mas talvez a resposta esteja muito menos na ideologia e muito mais na realidade das crianças que estão sentadas nas nossas salas de aula. O Brasil tem cerca de 1,7 milhão de crianças e jovens com certidões de nascimento sem o nome do pai.
O país também possui milhões de famílias monoparentais chefiadas por mulheres. E aproximadamente 52% dos domicílios brasileiros têm mulheres como responsáveis, mais de 40 milhões de lares.
A escola conhece essa realidade de perto. Há crianças que não têm o nome do pai na certidão. Outras têm. Mas não têm o pai na reunião, na apresentação da escola, no aniversário, na doença, na tarefa de casa ou nos momentos em que mais precisam de um adulto pra chamar de pai.
Há crianças criadas pela mãe. Pela avó. Pelos tios. Por famílias adotivas. Por padrastos que assumiram funções que outros abandonaram.
Quando uma escola substitui a tradicional comemoração do Dia dos Pais por um Dia da Família, isso não precisa ser interpretado como uma declaração de guerra contra a paternidade. Pode ser simplesmente uma decisão pedagógica diante da realidade. Inclusão também é perceber quem fica sozinho enquanto os outros comemoram.
Mas existe um cuidado igualmente importante. Reconhecer diferentes configurações familiares não significa dizer que pai não importa. Importa. E muito. Talvez justamente por convivermos com tantas formas de ausência seja necessário valorizar ainda mais aqueles homens que decidiram ficar e exercer a paternidade de verdade.
Antes de acusar a escola de destruir a família, talvez seja necessário olhar para as famílias que realmente chegam até ela todos os dias. E, no Dia dos Pais, valorizar aqueles que entenderam algo fundamental: Pai não é apenas quem deu a vida. É quem esteve presente enquanto o filho aprendia a viver.
Fonte: Prof. Fábio Flores

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