Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos conclui que JK foi morto pela ditadura militar.


A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos, aprovou por seis votos e uma abstenção um relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar brasileira em 1976.

O parecer, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão após mais de um ano de análise, revisita um caso que durante décadas foi oficialmente tratado como acidente automobilístico e aponta inconsistências em laudos produzidos na época, divergências em registros oficiais e falhas em documentos que sustentaram a investigação original.

Com a aprovação, o Estado brasileiro reconhece formalmente que a morte do fundador de Brasília decorreu de perseguição política, e não do acidente automobilístico na Via Dutra que a versão oficial sustentou por cinquenta anos.

As consequências práticas da decisão incluem a retificação da certidão de óbito de JK e de seu motorista Geraldo Ribeiro, que também morreu no evento, a notificação ao Ministério da Educação para atualização de currículos e livros didáticos, e um pedido formal de desculpas ao motorista do ônibus que durante décadas foi responsabilizado pelo acidente e que sempre negou qualquer envolvimento, tendo sido absolvido por falta de provas no processo judicial que enfrentou.

A versão das investigações da época era a seguinte: o Opala em que JK viajava se desgovernou depois de ser atingido por um ônibus da Viação Cometa que trafegava na faixa da esquerda.

A neta de JK, Anna Christina Kubitschek, presidente do Memorial JK, que sempre disse que a família nunca acreditou na versão do acidente, que recebeu o relatório anteriormente, fez então uma declaração direta, e que reflete os pensamentos de muitos brasileiros após a conclusão oficial: “A família considera fundamental que o Brasil enfrente sua história com coragem e transparência.

Caso a CEMDP conclua oficialmente que JK foi vítima de um atentado político, será um reconhecimento histórico necessário — não apenas para sua memória, mas para todos os brasileiros.”

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