quarta-feira, 8 de maio de 2013

Belo Monte: "o governo perdeu o juízo", afirmam indígenas


Em resposta à nota da Secretaria Geral da Presidência da República sobre a ocupação do canteiro de obras de Belo Monte, indígenas lançaram carta rebatendo ataques do governo federal, nessa terça-feira, 7. Há seis dias ocupados no principal canteiro de obras da hidrelétrica, os indígenas aguardam a presença do ministro Gilberto Carvalho no local.

"O governo está ficando mais violento", afirma a carta. Os manifestantes apontam o recrudescimento da postura do governo, na imprensa e no próprio canteiro. "Nós permanecemos calmos e pacíficos. Vocês não", afirmam. 

Segundo os indígenas, a área da ocupação foi militarizada, com presença em tempo integral de tropas armadas que "revistam as pessoas que passam e vem, a nossa comida, tiram fotos, intimidam e dão ordens", além de expulsar, multar e ameaçar de prisão jornalistas e retirar advogados e apoiadores.

Na segunda-feira, os ocupantes realizaram uma coletiva de imprensa com jornalistas na porta do canteiro para denunciar a censura aos jornalistas. Uma cópia da carta, assinada por todos os indígenas, foi entregue aos repórteres, reforçando a reivindicação dos indígenas e exigindo da Justiça a garantia da presença de observadores externos na área da ocupação.

Indígenas de nove povos diferentes ocupam o principal canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, na região de Altamira, no Pará, exigindo a suspensão das obras e estudos de hidrelétricas nos rios Xingu, Teles Pires e Tapajós, até que seja realizada a consulta prévia sobre a construção de grandes projetos que impactem territórios indígenas.